A Jornada de Natanael e as Autoridades Judaicas Série: Como Podem Três Serem Um? — Parte I

 


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Oliveira Viva

A Jornada de Natanael e as Autoridades Judaicas 

Série: Como Podem Três Serem Um?

Parte I

Alexandre D'Almeida 

3 de outubro de 2026

A Jornada de Natanael: O Que os Antigos Mestres de Israel Ensinavam?


Natanael, o narrador de Tzvi Nassi, começa confessando sua sede: "Eu buscava o conhecimento do Deus de Israel". Sua jornada não parte do Novo Testamento — Nassi recusa-se a usá-lo como prova diante de judeus —, mas das próprias fontes da tradição: a Bíblia Hebraica e os antigos mestres.

Os Targums Aramaicos. Nas sinagogas, a Torá era lida em hebraico e traduzida oralmente para o aramaico. Essas paráfrases — o Targum de Onkelos, o Targum Pseudo-Jonathan e o Targum de Jerusalém — repetidamente substituem o nome de Deus por "Memra", a Palavra do Senhor. É Onkelos quem traduz Gênesis 3:8: "E ouviram a voz da Palavra do Senhor (Memra d'Yeya) andando no jardim". A Palavra não é eco; é Presença.

O Zohar. Atribuído ao rabino Shimon bar Yochai, o Zohar é reverenciado pela tradição mística por seus insights sobre o ser de Deus. Nassi o cita como testemunha de que a pluralidade na Divindade não era invenção cristã.

O Sefer Yetzirah (Livro da Criação). Texto místico antiquíssimo, às vezes atribuído ao próprio Abraão, que descreve a criação por trinta e dois caminhos de sabedoria — e que, como veremos na Parte IV, fala do "Espírito do Espírito" como agente criador.

As observações gramaticais. Natanael nota o que qualquer leitor atento nota: Deus fala no plural — "Façamos o homem à nossa imagem" (Gn 1:26). Os gramáticos modernos explicam isso como "plural majestático"; Nassi responde que os reis antigos — Faraó, Nabucodonosor, Davi — falavam de si no singular. O plural bíblico não é cerimônia: é revelação.

Exegeticamente, o ponto de Nassi é simples e forte: a fé de Israel em um Deus uno nunca foi, nas suas próprias fontes, uma unidade vazia. Os Targums personificam a Palavra; o Zohar fala de Três; a gramática aponta para o interior do "Um".

Notas de Rodapé e Glossário:

  1. Targum: paráfrase aramaica das Escrituras Hebraicas, usada na liturgia da sinagoga quando o aramaico era a língua do povo.
  2. Memra (מימרא): "Palavra" em aramaico; nos Targums, quase um título pessoal de Deus agindo no mundo.
  3. Onkelos: Targum da Torá atribuído ao prosélito Onkelos, séc. I-II.
  4. Sefer Yetzirah: "Livro da Criação", um dos textos mais antigos da mística judaica.
  5. Plural majestático: explicação gramatical moderna para plurais referentes a Deus — contestada por Nassi com dados históricos.

Que o Eterno o Abençoe!




Alexandre D'Almeida

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