🌿Série Descobrindo os Pilares da Fé Hebraica - O Messias na Criação e na Redenção: O Elo entre o Princípio e o Fim
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Oliveira Viva
O Messias na Criação e na Redenção
O Elo entre o Princípio e o Fim
Descobrindo os Pilares da Fé Hebraica
Alexandre D'Almeida
27 de dezembro de 2025
Shalom. Que a luz do Eterno ilumine sua busca pela verdade.
Hoje, exploraremos o papel do Messias na criação e na redenção. No judaísmo tradicional, o Messias é o rei humano que traz a era de paz; na visão messiânica, Ele é a manifestação divina de HaShem que habita entre nós. Como uma ilustração simples: imagine HaShem como o Sol; Yeshua é o raio de luz — inseparável da fonte, mas que toca a terra para iluminar e aquecer.
1. A Queda e o "Remédio" Prometido
O drama da humanidade começa em Bereshit (Gênesis 3), com a desobediência que trouxe a separação espiritual. Contudo, o Eterno não nos abandonou. O Targum Yerushalmi interpreta a promessa de Gênesis 3:15 de forma profética: "Haverá um remédio para os filhos da mulher nos dias do Rei Messias". Enquanto o Midrash Bereshit Rabbah (23:5) vê na "semente" a vitória de Israel sobre o mal, a visão messiânica identifica Yeshua como essa semente.
Ele é o "Segundo Adão" da Teologia Reformada (Romanos 5:12-15): humano para nos representar e divino para nos redimir. Como observa o acadêmico Daniel Boyarin, a ideia de um Messias divino que encarna para salvar a humanidade não é um conceito estranho ao judaísmo antigo, mas uma esperança que pulsa desde a promessa do Éden.
2. A Era Messiânica: O Rei e o Reino
O judaísmo aguarda um Rei descendente de Davi que trará justiça plena. O Talmude (Sanhedrin 99a) afirma que todos os profetas olharam para os dias do Messias. Profetas como Yeshayahu (Isaías 11) descrevem um reinado onde o lobo habitará com o cordeiro.
Na perspectiva messiânica, Yeshua cumpre essa missão em etapas: primeiro como o Servo Sofredor de Isaías 53 e, em Sua volta, como o Rei vitorioso. Ele é o herdeiro legítimo do trono de Davi (Mateus 1:1), mas Sua autoridade emana de Sua natureza como o Verbo eterno (João 1:1). Como explica Elliot Wolfson, o Messias é o símbolo máximo da união entre o Criador e o criado.
3. O Messias Pré-Existente: O Plano antes do Tempo
A tradição judaica ensina que o "Nome do Messias" foi criado antes do mundo (Talmude Pessachim 54a; Vayikra Rabbah 14:1). Isso indica que a redenção não foi um "Plano B", mas o desígnio original de HaShem. Na tradição de Breslov, o Messias é visto como o Tsadik (Justo) que serve como fundação do mundo.
Para o crente messiânico, essa preexistência aponta para Yeshua como o Verbo que estava com Deus (João 8:58). Ele é o "Fiador Espiritual" que garante a criação. Como explica o Rabino Yitzchak Ginsburgh, o Messias reflete a luz de HaShem como um espelho perfeito, trazendo a eternidade para dentro do tempo sem dividir a unidade divina.
4. Elohim e Echad: Unidade na Diversidade de Poderes
O termo Elohim em Gênesis 1:1 é um plural majestático que, segundo Ibn Ezra e Bechai, indica a concentração de todos os poderes em um único Deus. O Midrash Bereshit Rabbah (3:4) faz uma conexão fascinante: o "Espírito de Elohim" que pairava sobre as águas é o Espírito do Mashiach.
Essa unidade absoluta é o coração do Shemá (Deuteronômio 6:4). O Zohar (II:43b) descreve um mistério nas três menções ao Divino, chamando-as de "três gaunin" (modos ou cores) que são UM. Gershom Scholem menciona as Tsachtsachot como raízes das Sefirot, indicando uma complexidade interna na Divindade que o judaísmo místico reconhece sem jamais cair no politeísmo. Yeshua é a manifestação visível dessa unidade (Marcos 12:29).
5. O Conceito de "Persona": Distinção sem Divisão
Para aprofundar esse mistério, recorremos a Tertuliano, que introduziu o termo Persona no século III. Vindo do direito romano, persona indicava um "ator" ou "papel jurídico" com direitos e deveres. Tertuliano usou isso para explicar que Pai, Filho e Espírito Santo são distinções relacionais dentro de uma única substância (una Substantia).
Isso ecoa perfeitamente as Sefirot da Cabalá. Zeir Anpin ("Face Pequena"), frequentemente chamado de "Filho", é a configuração das emoções divinas que interagem com o mundo. O Zohar (III:141a) afirma que o Ancião e Zeir Anpin são um. Yeshua é Zeir Anpin encarnado — a "pessoa" divina que interage, sofre e redime, enquanto permanece um com o Pai (João 14:9). Como dizia o rabino messiânico Isaac Lichtenstein: "A Shekhinah não é outro senão o próprio Mashiach".
Conclusão: O Elo da Redenção
O Messias é o fio de ouro que une a criação à redenção. Ele é o Verbo por quem tudo foi feito e o Cordeiro por quem tudo é restaurado. No judaísmo tradicional, Ele é o ideal; em Yeshua, Ele é a realidade. Através d'Ele, o caos de Gênesis 1:2 encontra o seu descanso final na nova criação.
Estude as Escrituras, mergulhe na tradição e peça ao Espírito do Eterno que ilumine seu coração. Que HaShem o guie em toda a verdade!
Referências
Bechai. (c. 1300). Comentário à Torá.
Boyarin, D. (2012). The Jewish Gospels: The Story of the Jewish Christ. Nova York: The New Press.
Breiter, Y. (c. 1930). Breslov Teachings About Mashiach. Breslov Center.
Colossenses. (c. 60 d.C.). 1:16-17.
Ginsburgh, Y. (1991). The Mystery of Marriage: How to Find True Love After (or Before) the Wedding. Jerusalém: Gal Einai Institute.
Ibn Ezra. (c. 1150). Comentário a Gênesis 1:1.
Lichtenstein, I. (1894). An Appeal to the Jewish People. Budapeste: Editora Judaica.
Maimônides. (c. 1190). Guia dos Perplexos. Parte 1, cap. 2.
Marcos. (c. 70 d.C.). 12:29.
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Mishná Sanhedrin. (c. 200 d.C.). 7:5; 10:1.
Nassi, T. (2010). The Great Mystery or How Can Three Be One?. Jerusalém.
Rashi. (c. 1100). Comentário a Deuteronômio 6:4.
Romaniyim/Romanos. (c. 57 d.C.). 5:12-15.
Schochet, J. I. (1979). Mystical Concepts in Chassidism. Nova York: Kehot.
Scholem, G. (1974). Kabbalah. Jerusalém: Keter.
Talmud Pessachim. (c. 500 d.C.). 54a.
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Torá. (c. 1200 a.C.). Devarim. 6:4.
Tzemach Tzedek. (1840). Derech Mitzvotecha. Nova York: Kehot Publication Society.
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Yochanan/João. (c. 90 d.C.). 1:1; 8:58; 14:9.
Zohar. (c. 1280). II:43b; III:65; III:141a.
Que o Eterno o Abençoe!
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