🌿Série Descobrindo os Pilares da Fé Hebraica - Características Fundamentais e o Mistério da Paternidade Divina
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Oliveira Viva
Características Fundamentais e o Mistério da Paternidade Divina
Descobrindo os Pilares da Fé Hebraica
Alexandre D'Almeida
24 de dezembro de 2025
Que a luz do Eterno brilhe em seu coração e guie seu entendimento.
Hoje, exploraremos as características fundamentais do Nome Divino (YHWH) e como Ele, sendo o Criador atemporal e soberano, Se revela a nós como um Pai compassivo. Na visão messiânica, Yeshua é o "rosto" dessa paternidade — plenamente humano para nos abraçar e plenamente divino para nos redimir, sem jamais violar a unidade absoluta de Deus.
1. O Criador Atemporal e o Mistério do Princípio
A Torá abre o cenário da existência com uma afirmação de soberania: "No princípio, Elohim criou" (Bereshit/Gênesis 1:1). No judaísmo, HaShem não apenas deu o primeiro passo; Ele é o plano e a execução. O Midrash Bereshit Rabbah (1:10) ensina que HaShem olhou para a Torá (o plano divino) e criou o mundo.
Diferente de nós, HaShem habita a eternidade e não está sujeito ao tempo. Maimônides (Guia dos Perplexos) explica que o tempo é uma criação; logo, o Criador está fora dele. Ele vê o fim desde o princípio. Na perspectiva messiânica, isso ilumina a natureza de Yeshua como o Verbo (Yochanan/João 1:1). Ele é a manifestação de HaShem que "entra" na linha do tempo para resgatar a criação. Como observa o rabino acadêmico Daniel Boyarin, a ideia de um Messias divino que interage com o tempo não é uma invenção tardia, mas um conceito enraizado em tradições judaicas antigas sobre a Sabedoria preexistente.
2. A Origem do Bem e da Adversidade: O Teste do Livre Arbítrio
Um dos textos mais profundos de Yeshayahu (Isaías 45:7) declara: "Eu formo a luz e crio as trevas; faço shalom e crio o mal (ra)". Para o judaísmo, isso refuta qualquer dualismo. Não há uma força oposta a HaShem; tudo emana de Sua vontade. O termo Ra, como explica Rashi, refere-se aqui à adversidade ou punição, e não ao mal moral intrínseco.
Por que HaShem permitiria a adversidade? Para que o livre arbítrio tenha valor. O Talmude (Berachot 60b) ensina que o Yetzer Hara (inclinação ao mal) é o motor que testa nossa integridade. O Zohar (Terumah 144a) ilustra isso com a parábola do Rei que contrata uma tentação para provar a fidelidade de seu filho. O Midrash Tanchuma reforça: o teste não é para destruir, mas para aumentar o mérito do justo. Yeshua, o Mashiach, é o exemplo supremo: Ele enfrentou o deserto e a tentação, vencendo o Yetzer Hara como homem, para nos mostrar que a conexão com o Pai é a nossa força (Hebreus 4:15).
3. Atributos de HaShem: A Via Negativa e as Sefirot
Para proteger a santidade de HaShem, o judaísmo utiliza a "Via Negativa": sabemos o que Ele não é (não é corpo, não muda, não é limitado). Maimônides e Aryeh Kaplan enfatizam que qualquer tentativa de dividir HaShem em partes é um erro.
Contudo, a Cabala nos apresenta as Sefirot — dez emanações ou "lentes" pelas quais a luz única de HaShem se revela ao mundo, como Chesed (Graça) e Gevurah (Força). O Zohar (1:50b) e o Sefer Yetzirah ensinam que essas manifestações não dividem a unidade divina, mas a tornam compreensível. Na visão messiânica, o rabino Isaac Lichtenstein comparava a Trindade a essas emanações: Yeshua é a manifestação de Tiferet (Glória/Beleza), o equilíbrio perfeito que une o céu e a terra, o divino e o humano, sem comprometer o monoteísmo absoluto.
4. O Mistério do Shemá: Unidade na Pluralidade
O grito de fé de Israel é o Shemá: "Ouve, ó Israel, YHWH é nosso Elohim, YHWH é um (Echad)" (Deuteronômio 6:4). O Zohar (Vol. II, 43b) aponta um mistério profundo nas três menções ao Divino neste verso, chamando-as de três gaunin (modos ou cores) que são, essencialmente, UM.
Menachem Recanati reforça que essas distinções estão unidas na essência do Senhor. Para o crente messiânico, o Shemá não exclui Yeshua; ele O inclui como a Palavra que emana da Unidade. Quando Yeshua proclama o Shemá em Marcos 12:29, Ele reafirma que Sua missão é glorificar o Deus Único através de Sua manifestação como o Filho.
5. Avinu: HaShem como Pai Compassivo
Finalmente, HaShem Se revela como Avinu (Nosso Pai). Em Isaías 63:16, o profeta clama: "Tu és nosso Pai". Rashi e o Radak explicam que essa paternidade significa que HaShem nunca desiste de Seus filhos, mesmo quando eles pecam. O Midrash Shemot Rabbah diz que Ele nos levanta e nos alimenta.
Na liturgia de Avinu Malkenu ("Nosso Pai, Nosso Rei"), reconhecemos essa dualidade: Ele é o Rei Soberano, mas também o Pai amoroso. Yeshua elevou essa intimidade ao nos ensinar a orar "Pai Nosso" (Mateus 6:9). Ele é o Mashiach que, sendo humano, entende nossas dores e, sendo divino, nos leva de volta ao colo do Pai. Como afirma Elliot Wolfson, o Messias é o símbolo da união final entre o Criador e a criatura.
Conclusão: O Convite à Proximidade
HaShem é o Criador atemporal que governa o universo, mas que escolheu ser chamado de Pai. Ele nos testa para nos fortalecer e Se revela através de emanações para que possamos tatear Sua glória. Yeshua é o ponto de encontro desse mistério: a onda que nos traz a água do oceano de HaShem.
Que possamos, como Esdras (Esdras 7:10), dispor o coração para buscar e viver essa verdade. Não separe seu coração do Eterno; peça iluminação e caminhe na luz do Mashiach.
Referências
Boyarin, D. (2012). The Jewish Gospels: The Story of the Jewish Christ. Nova York: The New Press.
Ginsburgh, Y. (1991). The Mystery of Marriage: How to Find True Love After (or Before) the Wedding. Jerusalém: Gal Einai Institute.
Kaplan, A. (1979). Handbook of Jewish Thought. Vol. 1. Jerusalém: Moznaim.
Lichtenstein, I. (1894). An Appeal to the Jewish People. Budapeste: Editora Judaica.
Maimônides. (c. 1190). Guia dos Perplexos. Parte 1, cap. 58; Parte 2, cap. 13.
Matityahu/Mateus. (c. 80 d.C.). 6:9.
Marcos. (c. 70 d.C.). 12:29.
Midrash. (c. 400-600 d.C.). Bereshit Rabbah. 1:10.
Midrash. (c. 800 d.C.). Tanchuma. Shelach 15.
Midrash. (c. 800 d.C.). Tehilim Rabbah. 2:7.
Midrash. (c. 845 d.C.). Pesikta Rabbati. 36.
Midrash. (c. 900 d.C.). Shemot Rabbah. 46:3.
Mishná. (c. 200 d.C.). Avot. 2:16.
Rashi. (c. 1100). Comentário a Isaías 45:7; 63:16.
Radak. (c. 1200). Comentário a Isaías 64:7.
Recanati, M. (c. 1300). Comentário à Torá. Deuteronômio 10:17.
Sefer Yetzirah. (c. 200-600 d.C.). 3:4.
Talmude. (c. 500 d.C.). Berachot. 60b; Chagigah. 14b.
Torá. (c. 1200 a.C.). Bereshit. 1:1; Devarim. 6:4; Yeshayahu. 45:7; 63:16; 64:7.
Wolfson, E. R. (1994). The Circle in the Square: Studies in the Use of Gender in Kabbalistic Symbolism. Albany: State University of New York Press.
Yochanan/João. (c. 90 d.C.). 1:1-2.
Zohar. (c. 1280). Terumah 144a; Vol. II, p. 43b; 1:50b.
Que o Eterno o Abençoe!
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