🌿Série Descobrindo os Pilares da Fé Hebraica - O Primeiro Pilar: A Existência e a Unidade do Eterno
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Oliveira Viva
O Primeiro Pilar
A Existência e a Unidade do Eterno
Descobrindo os Pilares da Fé Hebraica
Alexandre D'Almeida
13 de dezembro de 2025
Bem-vindos a uma jornada pelas raízes da nossa redenção.
Nesta série, propomos uma imersão nos fundamentos da fé hebraica sob a lente messiânica de Yeshua. Meu interesse é duplo: descortinar para os cristãos a riqueza exegética do judaísmo e apontar para os meus irmãos judeus a identidade de Yeshua como o Mashiach prometido. Hoje, contemplamos o alicerce de toda a realidade: a existência do Deus Único, o HaKadosh Baruch Hu (O Santo, Bendito Seja), conforme revelado nas Escrituras, na tradição dos nossos sábios e na teologia dos reformadores.
1. Teologia: O Encontro entre o Logos e a Da’at Elohim
A palavra "teologia" — do grego theos (Deus) e logos (palavra/razão) — define o esforço humano de organizar o conhecimento sobre o Divino. Embora o termo tenha sido moldado por mentes como Platão e, mais tarde, sistematizado por gigantes como Agostinho e João Calvino, o conceito no judaísmo é expresso como Da’at Elohim (o Conhecimento de Deus).
Para o pensamento reformado, como afirma Calvino nas Institutas, o conhecimento de Deus e o de nós mesmos estão interligados. No entanto, o judaísmo nos lembra que esse conhecimento não é meramente intelectual, mas vital. O Talmud Bavli (Berakhot 28b) ensina que "conhecer a Torá é conhecer a Deus", pois a Torá é a emanação da Sua vontade. Aqui, compreendemos a Torá em seu sentido pleno: toda a revelação bíblica (Tanakh e Brit Chadashah). Como ensinava o teólogo holandês Herman Bavinck, Deus Se revela para ser conhecido, e essa revelação é o "espelho" onde contemplamos Sua glória.
2. O Shemá e a Unidade Absoluta
A espinha dorsal da fé bíblica é o monoteísmo ético e absoluto. Em Marcos 12:29-30, Yeshua não cria uma nova doutrina, mas reafirma a identidade de Israel ao citar o Shemá:
“Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor!” (Deuteronômio 6:4).
Esta declaração é o que o Sifre Devarim 31 descreve como "a aceitação do jugo do Reino dos Céus". A unidade de Deus não é apenas numérica, mas de essência. O Zohar (I, 21b) proclama: "O Santo, bendito seja, é Um; Ele é o princípio e o fim de todos os graus, e todos estão selados com o Seu selo".
Essa verdade é ecoada por Paulo em 1 Timóteo 1:17, ao descrevê-Lo como o "Rei eterno, imortal, invisível, Deus único". Na oração sacerdotal de João 17:3, Yeshua estabelece o ápice desta teologia: a vida eterna consiste em conhecer o Pai como o único Deus verdadeiro e a Yeshua como o Seu enviado. Como explica o Midrash Tanchuma (Yitro 16), o conhecimento de Deus não é um acessório à vida; ele é a própria vida, pois fora d'Ele nada subsiste.
3. O Mistério: Entre o Revelado e o Oculto (Ein Sof e Revelação)
Deus pode ser conhecido? A teologia reformada e o judaísmo clássico concordam: Deus é cognoscível em Sua revelação, mas incognoscível em Sua essência plena.
Em Romanos 1:19-21, Paulo argumenta que os atributos invisíveis de Deus são percebidos através da criação. O Midrash Bereshit Rabbah (34:8) ilustra isso ao dizer que a criação é o testemunho do Criador, assim como um edifício testifica sobre o arquiteto. O Talmud (Sanhedrin 92a) complementa que o sábio encontra Deus na ordem do cosmos.
Entretanto, há uma face de Deus que permanece no "obscuro esplendor". Isaías nos lembra que Seus caminhos são mais altos que os nossos (Isaías 55:8-9). O Zohar (II, 99a) utiliza o conceito de Ein Sof (O Infinito) para descrever Deus antes de Suas emanações, afirmando que Sua profundidade transcende toda compreensão humana. Jó, em sua angústia e adoração, reconhece: "Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender" (Jó 36:26).
Esta é a tensão que o teólogo A.
W. Tozer chamava de "O Conhecimento do Santo": Deus é acessível o suficiente para nos amar, mas transcendente o suficiente para ser adorado com temor. O Talmud (Hagigah 13a) adverte que há limites para a especulação humana, pois a mente finita não pode conter o Infinito.
4. O Conhecimento Progressivo: Do Espelho à Face
A fé hebraica não é estática; ela é um caminho de ascensão. Paulo nos ensina em 1 Coríntios 13:12 que hoje vemos "como em espelho, obscuramente", mas um dia veremos "face a face". Esse conceito de visão embaçada é muito próximo à ideia judaica de Aspaklaria (o espelho da profecia).
Antes do Messias, servíamos ao que não era Deus, mas agora somos "conhecidos por Deus" (Gálatas 4:8-9). O Midrash Shemot Rabbah (5:9) ensina que Deus Se revela gradualmente, conforme a sinceridade do coração que O busca. No entanto, o "homem natural" (1 Coríntios 2:14) não pode discernir essas verdades, pois elas exigem o Ruach HaKadosh (Espírito Santo). Como diz a Mishná (Pirkei Avot 3:1), devemos contemplar de onde viemos e para onde vamos, reconhecendo que a sabedoria divina exige um coração aberto, e não apenas um intelecto afiado (Talmud, Megillah 15a).
Conclusão: O Caminho de Esdras
A existência de Deus não é uma hipótese a ser provada, mas uma realidade a ser vivida. Ele é o Deus Único de Israel, o Pai de Yeshua, a fonte de toda a verdade. Ele Se deixa encontrar na simplicidade de uma flor e no mistério do Zohar, mas revela Sua face definitiva no Messias.
Que possamos imitar o escriba Esdras, que "tinha disposto o coração para buscar a Lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos" (Esdras 7:10). Como conclui a Mishná (Pirkei Avot 2:2), todo estudo que não é acompanhado de temor ao pecado e amor a Deus perde o seu propósito. Que nossa teologia seja fogo que aquece o coração e luz que guia os pés em direção ao Único Deus e ao Seu Messias.
Que o Eterno o Abençoe!
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