🌿Série Isaías como você nunca leu Cap. 16 - O Papel dos Targuns na Interpretação de Isaías: Uma Lente Messiânica
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Oliveira Viva
O Papel dos Targuns na Interpretação de Isaías
Uma Lente Messiânica
Série Isaías como você nunca leu Cap. 16
Alexandre D'Almeida
26 de novembro de 2025
Uma Tradução que Revela o Messias
Por que as antigas traduções aramaicas do Tanach, conhecidas como Targuns, oferecem uma visão tão clara do Messias em Isaías, enquanto o Judaísmo moderno tende a ignorá-las?
Os Targuns, especialmente o Targum de Isaías, transformam passagens proféticas em declarações explícitas de esperança messiânica, como em Isaías 9:6: "Porque um menino nos nasceu... e o seu nome será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte"; e Isaías 53:5: "Traspassado pelas nossas transgressões" (traduções baseadas na Almeida Revista e Atualizada).
Escritos entre os séculos I a.C. e IV d.C., os Targuns serviam como explicações para comunidades judaicas que falavam aramaico. Este estudo explora a contribuição dos Targuns para a exegese messiânica de Isaías, examinando o texto hebraico, o Targum Yonatan, interpretações talmúdicas e midrashicas, sábios rabínicos, reformadores e puritanos, e sua aplicação no Judaísmo Messiânico.
Perguntamos: Por que os Targuns são menos enfatizados no Judaísmo moderno? Como usá-los em estudos judaico-messiânicos?
O Texto em Foco: Messiânismo no Hebraico e no Targum
O hebraico de Isaías é vibrante, e o Targum o amplifica:
Isaías 9:6: כִּי־יֶלֶד יֻלַּד־לָנוּ... וַיִּקְרָא שְׁמוֹ פֶּלֶא יוֹעֵץ אֵל גִּבּוֹר ("Porque um menino nos nasceu... seu nome será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte"). O Targum de Isaías 9:6 diz: "Porque um menino nos nasceu... e seu nome será chamado diante do Maravilhoso Conselheiro, o Deus Forte... o Messias, cujo reino será eterno." Aqui, o Targum explicita o Messias como um rei divino.
Isaías 53:5: וְהוּא מְחֹלָל מִפְּשָׁעֵינוּ ("Traspassado pelas nossas transgressões"). O Targum interpreta: "Ele foi ferido por nossas transgressões... o Messias trouxe expiação pelos nossos pecados." Embora suavize o sofrimento direto do Messias, o Targum mantém a leitura messiânica.
O contexto de Isaías 9 (ameaça assíria, século VIII a.C.) e Isaías 53 (exílio babilônico, século VI a.C.) aponta para um redentor, que o Targum identifica como o Messias.
O Targum de Isaías: Uma Exegese Messiânica
O Targum Yonatan, atribuído a Yonatan ben Uziel (século I a.C.), é uma paráfrase interpretativa que explicita referências messiânicas:
Isaías 9:6: Transforma o "menino" em um Messias eterno, refletindo a expectativa de um rei davídico (2 Samuel 7:12-16).
Isaías 53:5: Identifica o Servo como o Messias, que expia pecados, embora transfira parte do sofrimento para Israel, possivelmente para evitar polêmicas cristãs posteriores.
Outras Passagens: Em Isaías 11:1, o Targum chama o rebento de "Messias"; em Isaías 42:1, o Servo é um ungido que ensina a Torá.
Os Targuns, usados em sinagogas antigas, refletem uma exegese judaica pré-medieval, mais aberta a leituras messiânicas individuais.
Comparação com Talmude e Midrashim
Talmude
O Talmude Babilônico complementa o Targum:
Sanhedrin 98b: Associa Isaías 53 ao Messias sofredor, descrito como "leproso" (53:4), ecoando a expiação do Targum em 53:5.
Berachot 5a: Sugere que o sofrimento redentor, como em Isaías 53, é messiânico, alinhado com a visão do Targum.
Sanhedrin 98a: Conecta Isaías 9:6 ao Messias, reforçando a leitura do Targum de um rei divino.
Midrashim
Os Midrashim frequentemente amplificam o messiânismo do Targum:
Midrash Yalkut Shimoni (Isaías 9): Interpreta Isaías 9:6 como o Messias, cujo nome reflete divindade, semelhante ao Targum.
Midrash Pesikta de-Rav Kahana (5:8): Vê Isaías 53 como um Messias sofredor que vive após aflições, ecoando o "prolongar dias" (53:10) do Targum.
Midrash Ruth Rabbah (5:6): Liga Isaías 53 a um Messias redentor, reforçando a expiação vicária do Targum.
Enquanto o Targum é mais explícito, o Talmude e os Midrashim variam entre leituras individuais e coletivas, mas confirmam a tradição messiânica antiga.
Sábios Rabínicos: Um Desvio do Messiânismo
Rashi (1040-1105): Interpreta Isaías 53 como Israel coletivo, sofrendo no exílio, e Isaías 9:6 como Ezequias, não o Messias, para contrapor leituras cristãs. Sua exegese ignora o Targum.
Ibn Ezra (1089-1167): Vê Isaías 53 como Israel, mas admite que 9:6 pode ser messiânico, embora prefira Ezequias. Ele raramente cita o Targum.
Maimônides (1135-1204): Em Mishneh Torah (Leis dos Reis 11:1), Maimônides rejeita o Messias sofredor de Isaías 53, focando em um rei triunfante, e não menciona o Targum.
A rejeição do Targum por esses sábios reflete o contexto medieval de disputas com o cristianismo.
Reformadores e Puritanos: Yeshua e o Targum
Heinrich Bullinger (1504-1575): O reformador suíço viu Isaías 9:6 e 53 como profecias de Cristo, cuja divindade e expiação ecoam o Targum, reforçando a leitura messiânica.
Jeremiah Burroughs (1599-1646): O puritano inglês interpretou Isaías 53 como o sacrifício de Cristo, alinhado com o Targum, enfatizando a justificação de muitos (53:11).
Matthew Henry (1662-1714): O puritano inglês conectou Isaías 9:6 ao reino eterno de Cristo e Isaías 53 à sua expiação, refletindo a exegese messiânica do Targum.
Judaísmo Messiânico: O Valor do Targum
No Judaísmo Messiânico, o Targum é uma ferramenta poderosa:
Yeshua como Messias: O Targum de Isaías 9:6 e 53:5 confirma Yeshua como o Messias divino (João 1:1) e sofredor (Atos 8:32-35).
Uso Exegético: O Targum oferece uma ponte entre o Tanach e a fé em Yeshua, mostrando que a leitura messiânica é judaica, não cristã (Mateus 5:17).
Centralidade de Israel: O Targum mantém a eleição de Israel (Romanos 11:26), com Yeshua como Messias judeu que enxerta os gentios (Romanos 11:17-24).
Refutando a Helenização: O Targum restaura o contexto judaico de Isaías, combatendo interpretações cristãs que ignoram a Torá.
Por Que os Targuns São Menos Enfatizados no Judaísmo Moderno?
Contexto Medieval: A partir do século XI, com Rashi, o Judaísmo rabínico reinterpretou passagens messiânicas (como Isaías 53) como Israel coletivo para contrapor o cristianismo, que usava o Targum para apoiar Jesus.
Foco no Texto Hebraico: O Judaísmo moderno prioriza o Tanach e os comentaristas medievais (Rashi, Maimônides), considerando os Targuns paráfrases menos autoritativas.
Rejeição de Leituras Cristãs: A associação dos Targuns com interpretações messiânicas adotadas por cristãos levou à sua marginalização, apesar de sua origem judaica.
Como Usar os Targuns em Estudos Judaico-Messiânicos?
Contexto Histórico: Citar o Targum como uma voz judaica antiga, anterior às disputas medievais, reforça sua autenticidade (ex., Targum em Isaías 9:6).
Comparação com Midrashim: Usar o Targum junto com o Talmude (Sanhedrin 98b) e Midrashim (Pesikta de-Rav Kahana) para mostrar consistência na tradição messiânica.
Diálogo com o Judaísmo: Apresentar o Targum como uma ponte para diálogo, destacando que Yeshua cumpre expectativas judaicas (Mateus 5:17).
Exegese Bíblica: Integrar o Targum com o Tanach e o Novo Testamento, mostrando Yeshua como o Messias de Isaías (Atos 13:47).
Resposta aos Antimissionários
Antimissionários, como os de Jews for Judaism, minimizam o Targum, alegando:
Paráfrase Não-Autoritativa: O Targum não tem o peso do Tanach.
Contexto Exílico: Isaías 53 refere-se a Israel no exílio, não ao Messias.
Influência Cristã: A leitura messiânica do Targum foi distorcida por cristãos.
Evidências em Refutação
Autoridade do Targum:
O Targum era usado em sinagogas e citado no Talmude (Sanhedrin 98b), indicando seu peso. Sua leitura messiânica em Isaías 9:6 e 53:5 é judaica, não cristã.
Contexto Messiânico:
O Targum e o Midrash Pesikta de-Rav Kahana (5:8) transcendem o exílio, identificando o Messias. Yeshua cumpre Isaías 53:5 (Atos 8:32-35).
Origem Judaica:
O Targum Yonatan é pré-cristão, refutando a alegação de influência. Sua leitura messiânica é confirmada por Midrashim (Ruth Rabbah 5:6).
Reflexões Finais
O Targum de Isaías, com suas referências explícitas ao Messias em passagens como 9:6 e 53:5, oferece uma lente judaica antiga para a exegese messiânica, complementada pelo Talmude e Midrashim.
Apesar de marginalizado no Judaísmo moderno devido a disputas medievais, o Targum é uma ferramenta vital no Judaísmo Messiânico, conectando Yeshua às profecias de Isaías enquanto mantém a Torá e a eleição de Israel.
Reformadores como Bullinger e puritanos como Burroughs e Henry ecoaram sua leitura messiânica. Restaurar o Targum é resgatar uma voz judaica que aponta para o Messias, unindo tradição e fé.
Convite à Reflexão
Por que os Targuns são menos enfatizados no Judaísmo moderno?
Como o Targum de Isaías reforça a leitura messiânica?
De que forma os Targuns podem ser usados em estudos judaico-messiânicos?
Como responder às objeções de que o Targum não é autoritativo?
Fontes Consultadas
Tanach: Isaías 9:6, 53:5 (hebraico).
Targum Yonatan sobre Isaías.
Talmude Babilônico, Sanhedrin 98a, 98b; Berachot 5a.
Midrash Yalkut Shimoni sobre Isaías 9; Pesikta de-Rav Kahana 5:8; Ruth Rabbah 5:6.
Rashi, Comentário sobre Isaías.
Ibn Ezra, Comentário sobre Isaías.
Maimônides, Mishneh Torah, Leis dos Reis 11:1.
Heinrich Bullinger, Escritos Teológicos.
Jeremiah Burroughs, Sermões.
Matthew Henry, Comentários Bíblicos.
Mateus 5:17; João 1:1; Atos 8:32-35, 13:47; Romanos 11:17-26.
Que o Eterno o Abençoe!
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