🌿Série Isaías como você nunca leu Cap. 1 - Jesus (Yeshua) como o Messias: Uma Análise Baseada em Fontes Rabínicas e no Método PaRDeS

 

🌿

Oliveira Viva

Jesus (Yeshua) como o Messias

Uma Análise Baseada em Fontes Rabínicas e no Método PaRDeS

Isaías como você nunca leu Cap. 1 

Alexandre D'Almeida

10 de novembro de 2025


Recentemente um casal tornou-se conhecido por fazer parte do movimento messiânico brasileiro, e como tem acontecido com certa frequência, pessoas que um dia foram cristãs, que encontraram no judaísmo messiânico explicações para suas dúvidas existenciais, começam a ter contato com o judaísmo.

Começam a estudar o judaísmo pela boca de terceiros, nada do original, mas o que dizem ser do original, do hebraico. Iniciam estudos com base no Talmude, Midrash, sem mesmo ter lido a Bíblia inteira uma vez.

Começam a ter contato com a cultura hebraica de escritos rabínicos, literatura mística, literatura cheia de coisas que não estão preparados para absorver. Mas estão maravilhados por esta novidade, tanta coisa diferente.

Promessa de milhares de anos de conhecimentos que lhes foram negados e agora está aí na sua frente, é só consumir.

Como uma criança dentro de uma loja do Willy Wonka com permissão de comer a vontade os doces fantásticos da loja. E do alto da arrogância que uma criança tem, minha filha tem 8 anos, portanto sei bem como é. Do alto da arrogância de um estudante de Engenharia, Medicina, ou Direito, que acha capaz de mudar o mundo, não tem noção do perigo que corre.

Perigo de estar recebendo um conteúdo que não está preparado para absorver de forma adequada.

Os perigos deste comportamento são:

  • Abandonar a fé pua e simples por algo místico maior, milenar, atraente.
  • Achar que ações pessoais podem se auto redimir a ponto de, alcançar o Eterno e suas bençãos, inicialmente materiais, espirituais e redentivas. Você é o Senhor do seu destino.
  • O papel do Messias fica empobrecido e contido em uma esfera humana como representante federativo apenas, alguém que fez algo fantástico liderando uma forma de vida apenas. Alguns tem a audácia de dizer que Ele pecou. E não conseguem entender a implicação disso no seu sacrifícios.
  • Depois é confrontado com a sublime magnificência do judaísmo ortodoxo, que mostra as maravilhas deste modo de vida (é assim que se apresentam) viver para HaShem, os sábios e começam a serem confrontados com seus demônios, e que nem sabiam que tinham, pois nunca estudaram a Bíblia, nunca foram orientados corretamente. E não sabem responder as perguntas dos rabinos corretamente. Caem na armadilha e não têm mais saída, a dúvida ficou enraizada.
  • Aceitam que Yeshua/Jesus não cumpriu todas as promessas, que você nunca entendeu corretamente as escrituras e recebem dois milênios de uma carga anti-cristã, anti-mashiach, pelas disputas teológicas. Não têm mais volta.
  • Negam Yeshua/Jesus e seguem para o judaísmo sem Yeshua, quando não abandonam a fé completamente.

Portanto este estudo analisa a identidade de Yeshua como o Messias à luz de fontes rabínicas tradicionais e do método exegético judaico PARDES (Peshat, Remez, Derash, Sod). 

Através de textos como o Talmud, Midrash, Targum e comentários de sábios renomados, argumenta-se que Isaías 53 e outras passagens proféticas apontam para Yeshua como o Messias, em uma dualidade que abrange tanto o papel de Israel quanto o de uma figura messiânica individual. 

O estudo aborda questões comuns, como a construção do Templo, a interpretação de almah em Isaías 7:14 e a noção de morte expiatória, refutando objeções com base em fontes judaicas.

Isaías 53 e a Interpretação pelo Método PARDES

Isaías 53, frequentemente associado ao "servo sofredor", é central no debate sobre a identidade do Messias. 

A interpretação pelo método PARDES revela uma dualidade: o "servo do Senhor" representa tanto Israel quanto o Messias, em uma unidade teológica. Essa abordagem é sustentada por várias fontes rabínicas:

  • Midrash Rabbah (Shemot Rabbah 98): Este Midrash conecta Isaías 53 ao Messias, descrevendo-o como aquele que sofre e carrega as enfermidades do povo. A passagem sugere que o servo é uma figura individual, além de uma representação coletiva de Israel.

  • Targum Yonatan sobre Isaías 53: O Targum, uma paráfrase aramaica da Bíblia Hebraica, interpreta o servo como o Messias, afirmando que ele "irá prosperar" e expiará os pecados do povo, conforme Isaías 53:4: "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si."

  • Rabino Nachman de Breslov (Likutei Moharan): Nachman questiona como Israel, descrito como "doente" em seu sofrimento, poderia curar a si mesmo. Ele sugere que o Messias, como figura redentora, é o agente de cura em Isaías 53, uma ideia alinhada com sua teologia mística.

  • Liturgia Sefardita e Ortodoxa: Nas sinagogas sefarditas e ortodoxas, a tefilá (oração litúrgica) cita Isaías 53:4 no contexto do gimmel (terceira letra do siddur), associando-o explicitamente ao "rei Messias", e não apenas aos justos de Israel.

A interpretação pelo PARDES demonstra que o servo de Isaías 53 é tanto Israel, como nação sofredora, quanto o Messias, que carrega os pecados do povo em um ato redentor. Essa dualidade é reforçada pela leitura conjunta de Isaías 40 e 48, que identificam Israel como servo, e dos Midrashim, que aplicam o capítulo ao Messias.

A Construção do Templo e a Vinda do Messias

Uma objeção comum à messianidade de Yeshua é que ele não reconstruiu o Templo, um requisito associado ao Messias em algumas interpretações. No entanto, fontes rabínicas sugerem que a vinda do Messias precede a reconstrução do Templo, que pode estar ligada à sua segunda vinda.

  • Ibn Ezra (Comentário sobre Isaías 53): O comentarista medieval Ibn Ezra afirma que, no dia da destruição do Segundo Templo (70 d.C.), "um maior que o Templo nasceu", referindo-se ao Messias. Essa afirmação indica que o Messias já estava presente antes da reconstrução do Templo, desafiando a ideia de que Israel seria o único servo sofredor.

  • Abarbanel (Comentário sobre Isaías 53): Don Isaac Abarbanel, do século XV, interpreta o servo de Isaías 53 como "exaltado acima de Abraão, maior que Moisés e superior aos anjos (malachim)". Ele identifica o servo como o rei Messias, reforçando a interpretação messiânica do capítulo.

  • Talmud (Sanhedrin 98a): O Talmud Bavli, tratado Sanhedrin 98a, discute a ressurreição do Messias, sugerindo que a construção do Templo pode ocorrer em uma segunda vinda. Essa ideia é consistente com interpretações rabínicas que veem a redenção como um processo gradual.

Além disso, o movimento Chabad considerou o Rebe Menachem Mendel Schneerson como Messias, apesar de ele não ter reconstruído o Templo ou pisado em Israel. Isso demonstra que, no judaísmo, a construção do Templo não é um pré-requisito absoluto para a identificação do Messias na primeira vinda.

A Dualidade das Vindas do Messias

A profecia de Isaías 9:5 ("Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu") é interpretada como referência às duas vindas do Messias: a primeira como Ben Yosef (filho de José, associado ao sofrimento) e a segunda como Ben David (filho de Davi, associado à glória).

  • Gaon de Vilna (Kol HaTor): O Gaon de Vilna interpreta Isaías 9:5 como uma descrição do Messias em duas fases: como "menino" (Ben Yosef, rejeitado por Israel) e como "filho" (Ben David, glorificado na redenção). Essa dualidade explica o papel sofredor do Messias na primeira vinda.

  • Ramchal (Maamar HaGeulah): Rabi Moshe Chaim Luzzatto descreve o Messias como Ben Yosef, que sofre rejeição para preparar o terreno para a redenção liderada por Ben David. Ele conecta isso a Isaías 53, onde o servo sofredor é rejeitado "sem causa".

  • Rambam (Hilchot Melachim): Maimônides, em suas Leis dos Reis, discute o papel do Messias em iniciar a redenção, mesmo enfrentando rejeição inicial. Embora ele não endosse explicitamente Yeshua, a ideia de um Messias sofredor como Ben Yosef é compatível com sua visão.

O uso do singular em Isaías 9:5 ("o nome dele será chamado") indica que ambas as vindas referem-se ao mesmo Messias, que aparece primeiro como uma figura rejeitada e depois como o redentor glorioso.

A Questão da Virgem e a Morte Expiatória

A profecia de Isaías 7:14, que utiliza a palavra almah (jovem) em vez de betulah (virgem), é frequentemente debatida. No entanto, os termos não são mutuamente exclusivos no contexto bíblico.

  • Exemplo de Rebeca (Gênesis 24:16, 24:43): Rebeca é chamada tanto de betulah ("virgem") quanto de almah ("jovem") na Torá, demonstrando que os termos podem ser intercambiáveis. Comentários como os de Rashi reforçam essa interpretação, indicando que almah pode implicar virgindade.

Quanto à morte expiatória, algumas interpretações questionam a necessidade de um mediador ou sacrifício humano no judaísmo. Fontes rabínicas, no entanto, apoiam a ideia de expiação por meio da morte de um justo.

  • Talmud (Moed Katan 28a): O Talmud Bavli, tratado Moed Katan 28a, afirma: "A morte de um justo espia pelos pecados de todos que estão ao seu redor." Esse conceito, conhecido como mesirut nefesh (entrega da vida), é considerado uma virtude suprema, distinta de sacrifício humano.

  • Zohar (sobre Isaías 53): O Zohar descreve o Messias em diálogo com Deus, dizendo: "Eu dou a minha vida por todo Israel", citando Isaías 53 como base. Essa ideia reforça que a morte expiatória do Messias é um conceito presente no judaísmo místico.

Essa interpretação alinha-se com João 15:13, onde se diz: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos", refletindo o princípio judaico de mesirut nefesh.

Conclusão

Este estudo demonstra, com base em fontes rabínicas como o Midrash Rabbah (Shemot 98), Targum Yonatan, Talmud (Sanhedrin 98a e Moed Katan 28a), Zohar e comentários de sábios como Ibn Ezra, Abarbanel, Nachman de Breslov, Gaon de Vilna, Ramchal e Rambam, que Yeshua pode ser identificado como o Messias. 

Ele cumpre o papel de Ben Yosef, sofrendo rejeição na primeira vinda, e está destinado a retornar como Ben David, trazendo a redenção final. 

A interpretação de Isaías 53 pelo método PARDES, a análise da construção do Templo e a compreensão de almah e da morte expiatória reforçam essa visão. 

Para um entendimento mais profundo, recomenda-se o estudo direto das fontes em hebraico, preferencialmente em um contexto de yeshivá, a fim de evitar interpretações equivocadas.

Tenha um mestre, busque uma comunidade saudável, estude a Bíblia primeiro, muitos anos depois, após ter base escriturísticas, com muita oração, jejum, escute o Espírito que fala através da Palavra do Eterno, escrita.


Que o Eterno o Abençoe!




Alexandre D'Almeida

Conheça já os livros:  Visite o perfil do Autor no Amazon e Uiclap e conheça melhor suas obras



Conheça os livros:  

Entre Jerusalém e Emaús

UICLAP - AMAZON

Eu Queria Ser Ateu

UICLAP - AMAZON

O MESSIAS OCULTO

UICLAP - AMAZON

O MESSIAS E A REDENÇÃO DE ISRAEL

UICLAP - AMAZON

As Festas do Reino: Honrando Jesus nas Celebrações Bíblicas

UICLAP - AMAZON

O Segredo da Arábia: A Jornada Silenciosa de Paulo e a Revelação do Messias nas Escrituras

UICLAP - AMAZON

SABEDORIA JUDAICA: Introdução à Hermenêutica e Exegese Judaica Antiga

UICLAP - AMAZON

NOSSOS PAIS FARISEUS: A Reparação de uma História Esquecida

UICLAP - AMAZON

PALAVRAS EM CHAMAS - Yom Hashoah: Lembrança em Tempos de Antissemitismo Crescente

UICLAP - AMAZON

DEUS Rejeitou Israel?

UICLAP - AMAZON



 

Comentários