🌿Série O Cordeiro Messias na Visão Judaica - Parte 2
Imagem: Machiach ben Yosef / Machiach ben David - Duas Faces um Homem (D'Almeida)
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Oliveira Viva
O Cordeiro Mashiach na Visão Judaica [2]
Uma Figura Central no Judaísmo.
Alexandre D'Almeida
18 de setembro de 2025
Na continuação da análise sobre o Cordeiro Mashiach, este estudo aprofunda a conexão entre Yeshua e o simbolismo do cordeiro no Judaísmo, explorando como a Akedah (sacrifício de Isaque), o Pessach e as tradições judaicas apontam para o Messias como um sacrifício substitutivo.
Os Antimissionários frequentemente negam que a Torá forneça base para o sacrifício de Yeshua, mas as Escrituras, a tradição oral (Torah Shebealpé) e textos rabínicos revelam que o conceito de um Messias que se oferece como cordeiro é profundamente enraizado no Judaísmo.
Este estudo examina essas conexões, mostrando que Yeshua, ao ser sacrificado no Pessach, cumpre profecias e tipologias judaicas, libertando o povo da escravidão do pecado, assim como o cordeiro pascal libertou Israel do Egito.
1. O Cordeiro no Pessach: Yeshua como o Redentor Final
Nenhuma imagem é tão viva e significativa no Judaísmo quanto o cordeiro do Pessach, que simboliza a libertação de Israel da escravidão do Egito (Êxodo 12). A Torah Shebealpé (tradição oral) afirma que o cordeiro é o redentor de Israel: Moisés foi o primeiro redentor, libertando Israel do Egito, e o Messias é o derradeiro redentor, libertando o povo do pecado. Yeshua, sacrificado no Pessach (Mateus 26:2), personifica esse cordeiro pascal, trazendo redenção espiritual.
- Targum Yonatan (sobre Êxodo 12): "O cordeiro do Pessach é um símbolo do redentor, que trará salvação ao povo de Israel." Essa tradição conecta o cordeiro ao Messias, que Yeshua cumpre ao morrer no Pessach, libertando da escravidão do pecado e do yetzer hara (inclinação para o mal).
Yeshua, ao instituir o Sêder de Pessach com seus discípulos (Mateus 26:26-28), associa seu corpo e sangue ao pão e ao vinho, declarando: "Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados."
Essa ação reflete sua missão como o Cordeiro Mashiach, que, conforme Isaías 53:7, é "levado ao matadouro" para expiar os pecados do povo.
2. A Akedah como Protótipo do Sacrifício do Mashiach
Antimissionários alegam que a Torá não oferece base para o sacrifício de Yeshua, mas a Akedah (Gênesis 22) serve como um protótipo claro. O Eterno promete a Abraão um filho, Isaque, através do qual viria a descendência (Gênesis 21:12), mas depois ordena que ele o sacrifique (Gênesis 22:2).
Como a promessa se cumpriria se Isaque morresse? O Eterno interrompe o sacrifício, provendo um carneiro substituto (Gênesis 22:13), mas a disposição de Isaque para o auto sacrifício (mesirat nefesh) é um remez (insinuação) do sacrifício do Messias.
- Targum Yonatan (sobre Gênesis 22:14): "O sacrifício de Isaque é lembrado pelo Eterno como um mérito para Israel, porque Isaque se dispôs ao auto sacrifício." Os rabinos pedem que o sacrifício de Isaque seja levado em conta para expiação, como recitado na liturgia diária.
Yeshua, como Isaque, se oferece voluntariamente (João 10:18: "Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo"). A Akedah prefigura o Mashiach, que, como um cordeiro, morre pelos pecados do povo, conforme Isaías 53:7: "Como cordeiro foi levado ao matadouro... e não abriu a sua boca."
3. O Local do Sacrifício: Gólgota e o Monte Moriá
Textos datados entre os séculos III e VI, atribuídos aos discípulos de Yeshua, afirmam que ele foi sacrificado no mesmo local onde Isaque foi amarrado: o Monte Moriá (Gênesis 22:2).
A tradição judaica identifica o Monte Moriá como o local do Templo (2 Crônicas 3:1), e algumas tradições cristãs primitivas conectam o Gólgota, onde Yeshua foi crucificado (João 19:17), ao mesmo monte.
- Tradição rabínica (Gênesis Rabbah 55:7): "O Monte Moriá é o lugar onde Adão foi criado e sepultado, onde Isaque foi amarrado, e onde o Templo foi construído."
- Midrash Tanchuma (sobre Gênesis 22): "O sacrifício de Isaque no Monte Moriá é um mérito eterno para Israel, e o local é santo para a redenção."
Yeshua, como o "segundo Adão" (1 Coríntios 15:45), é sacrificado no Gólgota, que simbolicamente se conecta ao Monte Moriá. Adão trouxe o pecado e a morte (Romanos 5:12);
Isaque, como protótipo, prefigura o perdão; e Yeshua, o Cordeiro Mashiach, puro e sem mancha (1 Pedro 1:19), se oferece como sacrifício substitutivo no mesmo lugar, trazendo redenção. Sua disposição voluntária ecoa a de Isaque, mas Yeshua completa o sacrifício, morrendo pelos pecados do povo.
4. Hebreus e Romanos: A Seriedade do Sacrifício e o Chamado à Santidade
Hebreus 10:26-29 adverte sobre a seriedade de pecar voluntariamente após receber o perdão: "Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados...
Quanto mais castigado será aquele que... profanou o sangue do testamento com que foi santificado?" Isso não limita a vontade do Eterno de perdoar, mas destaca a gravidade de desprezar o sacrifício de Yeshua, pisando em seu sangue.
Romanos 12:1 exorta oscrentes a serem um corban chai (sacrifício vivo): "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus." O sacrifício de Isaque e de Yeshua começou no coração, com a renúncia total.
Assim como Isaque e Yeshua se entregaram, os crentes devem viver em santidade, renunciando aos desejos carnais. Esaú, por exemplo, trocou sua primogenitura por um prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34), cedendo às limitações do corpo e à fraqueza da mente, um contraste com a obediência de Isaque e Yeshua.
5. Pessach e a Libertação do Pecado
O Pessach celebra a libertação de Israel da escravidão do Egito (Êxodo 12), e Yeshua, cujo nome significa "salvação", foi sacrificado no Pessach para libertar da escravidão do pecado. Assim como o cordeiro pascal protegeu Israel da morte (Êxodo 12:13), o sangue de Yeshua protege da morte espiritual, libertando o povo do yetzer hara e da vida de pecado.
- Talmud Sukkah 52a (sobre Isaías 52-53): "O Messias sofrerá e será como um cordeiro, levando sobre si os pecados de Israel." Essa conexão entre o Messias e o cordeiro é reforçada pelo Pessach, onde Yeshua cumpre sua missão redentora.
6. Os Patriarcas como Profecia: Isaque e Yeshua
A tradição judaica ensina que "as obras dos pais são um sinal para os filhos" (ma’aseh avot siman l’banim). O que acontece com os patriarcas prefigura o que ocorrerá com seus descendentes. Isaque, ao ser levado para o sacrifício, indica que um descendente seria sacrificado.
Como Isaque foi substituído por um cordeiro, símbolo de pureza e humildade, o Messias, também chamado de "cordeiro" (Isaías 53:7), seria sacrificado.
- Midrash Tanchuma (sobre Gênesis 22): "O sacrifício de Isaque é um sinal para os filhos de Israel, que o Messias também se oferecerá como sacrifício."
Yeshua, descendente de Isaque, imita seu comportamento, entregando-se voluntariamente (João 10:18). Assim como Isaque, Yeshua é o "filho amado" (Mateus 3:17) que obedece ao Pai, cumprindo Sua vontade. Como membros do corpo de Yeshua (1 Coríntios 12:27), os crentes são chamados a imitar esse exemplo, vivendo em santidade e não se conformando com o mundo (Romanos 12:2).
7. As Matriarcas e o Nascimento Sobrenatural do Mashiach
Todas as matriarcas — Sara, Rebeca, Raquel e Lea — eram estéreis e deram à luz de forma sobrenatural (Gênesis 21:1-2; 25:21; 29:31; 30:22). Isso é um remez do nascimento sobrenatural do Messias.
Isaías 7:14 profetiza: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel." Yeshua, nascido de Maria, uma virgem (Lucas 1:27), cumpre essa tipologia, nascendo de forma sobrenatural como as matriarcas deram à luz milagrosamente.
Respondendo aos Antimissionários
Os antimissionários alegam que a Torá não oferece base para o sacrifício de Yeshua, mas:
1. Pessach: O cordeiro pascal prefigura o Messias, que liberta do pecado, como Yeshua faz ao morrer no Pessach.
2. A Akedah: Isaque é um protótipo do Messias, e seu sacrifício prefigura o de Yeshua.
3. Monte Moriá/Gólgota: Yeshua é sacrificado no mesmo local onde Isaque foi amarrado, cumprindo a tipologia.
4. Patriarcas e matriarcas: Suas histórias profetizam o sacrifício e o nascimento sobrenatural do Messias.
5. Isaías 53: O Messias, como cordeiro, leva os pecados do povo, uma visão confirmada pelo Talmud Sukkah 52a.
Conclusão: Yeshua, o Cordeiro Mashiach
O Cordeiro Mashiach é uma figura central no Judaísmo, simbolizada pelo cordeiro pascal, pela Akedah e por Isaías 53. Yeshua, sacrificado no Pessach, cumpre essas tipologias, libertando o povo do pecado, assim como o cordeiro libertou Israel do Egito.
A Akedah prefigura seu sacrifício no Monte Moriá/Gólgota; as histórias dos patriarcas e matriarcas apontam para sua missão e nascimento; e sua obediência ao Pai, como Isaque, é um exemplo para os crentes.
Longe de ser uma invenção, o sacrifício de Yeshua é a culminação das profecias judaicas. Convidamos o leitor a refletir: seria Yeshua o Cordeiro Mashiach que redime Israel, como o Judaísmo Nazareno proclama?
Que o Eterno o Abençoe!
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