🌿Série O Cordeiro Messias na Visão Judaica - Parte 3
Imagem: Machiach ben Yosef / Machiach ben David - Duas Faces um Homem (D'Almeida)
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Oliveira Viva
O Cordeiro Mashiach na Visão Judaica [3]
É Real Esperança do Judaísmo.
Alexandre D'Almeida
Na terceira parte desta série, aprofundamos a conexão entre Yeshua e o simbolismo do Cordeiro Mashiach, explorando como a Akedah (sacrifício de Isaque), o Pessach, e tradições judaicas antigas, como o Testamento dos 12 Patriarcas e o Oráculo de Histaspes, apontam para um Messias que se oferece como sacrifício substitutivo e ressuscita.
Os Antimissionários frequentemente negam que o Judaísmo espere um Messias sofredor que morre e ressuscita, mas as Escrituras, a tradição rabínica e textos apocalípticos revelam que essa expectativa é profundamente enraizada no Judaísmo.
Este estudo examina essas conexões, mostrando que Yeshua, ao carregar sua cruz e morrer no Pessach, cumpre profecias e tipologias judaicas, trazendo expiação e redenção.
1. Yitschak e Yeshua Carregaram Sua Cruz
Gênesis 22:6 descreve a Akedah: "E pegou Avraham as madeiras do holocausto, e as colocou sobre Yitschak seu filho." O Midrash Rabbah (Bereshit Rabbah 56:3) comenta: "Como um homem que carrega sua cruz (tzlav) em seu ombro."
Essa imagem prefigura Yeshua, que carrega sua cruz ao Gólgota (João 19:17). Assim como Yitschak carregou a madeira para seu sacrifício, Yeshua carregou o instrumento de sua morte, simbolizando sua entrega voluntária.
- Chamada à imitação: Romanos 12:1 exorta os crentes a serem um corban chai (sacrifício vivo), e Mateus 16:24 diz: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." Seguidores de Yeshua são chamados a imitar seu sacrifício, vivendo em santidade e renúncia, como Yitschak e Yeshua fizeram.
2. HaSatan Tentou Impedir os Sacrifícios
O Midrash (R. Louis Ginzberg) relata que, durante a Akedah, "o carneiro estava correndo em direção a Abraão, quando Satanás o segurou e envolveu seus chifres no mato, a fim de não avançar para Abraão."
Da mesma forma, HaSatan tentou impedir o sacrifício de Yeshua, como descrito em Mateus 4:1-11, Marcos 1:12-13 e Lucas 4:1-13, onde Yeshua é tentado no deserto para abandonar sua missão.
- Paralelo com os crentes: Apocalipse 12:17 e 13:7 advertem que os seguidores de Yeshua também serão tentados por HaSatan "de dia e de noite". Assim como Yitschak e Yeshua resistiram, os crentes devem perseverar, confiando na vitória do Cordeiro (Apocalipse 17:14).
O Midrash também diz que o carneiro substitutivo de Yitschak se chamava "Yitschak", uma sombra profética de Yeshua, o Cordeiro Mashiach que morre no lugar do povo.
3. Yitschak e Yeshua: Expiação pelo Sangue
R. Louis Ginzberg relata: "E Abraão aspergiu o sangue do carneiro sobre o altar, e exclamou: ‘Este é em lugar do meu filho, e isso pode ser considerado como o sangue do meu filho perante o Senhor’... E Deus aceitou o sacrifício do carneiro, e foi considerado como se tivesse sido Yitschak."
Essa substituição prefigura Yeshua, cujo sangue expia os pecados, como 1 João 1:7 (Peshitta) afirma: "Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está... o sangue de Yeshua, seu Filho, nos purifica de todos os nossos pecados."
- Condição para o perdão: "Andar na luz" é uma chamada à santidade. A expiação pelo sangue exige um compromisso com a obediência, refletindo a seriedade do sacrifício de Yeshua.
No Judaísmo, a expiação é frequentemente associada ao sangue (Levítico 17:11: "Pois é o sangue que fará expiação em virtude da vida"). O sacrifício substitutivo não é estranho; o carneiro morreu no lugar de Yitschak, e Yeshua, o Cordeiro, morre no lugar do povo.
4. Yitschak e Yeshua como Cordeiros Substitutivos
Shemot Rabbah (1:1) diz: "Avraham gerou Yitschak... para ensinar-lhe que ele era como seu pai em todas as coisas... Yitschak tinha trinta e sete anos quando seu pai estava prestes a sacrificá-lo... ele o amarrou como um cordeiro, e ele não o conteve."
A expressão "como um cordeiro" é conectada, via Gezerá Shavá (técnica de interpretação judaica), a Isaías 53:7: "Como um cordeiro foi levado ao matadouro... assim ele não abriu a sua boca." Essa técnica correlaciona textos com expressões idênticas, mostrando que Yitschak prefigura o Servo Sofredor, o Mashiach.
- Filo de Alexandria: Interpreta a Akedah alegoricamente, ensinando que Yitschak representa a sabedoria de YHWH, mas o Eterno providenciou o Logos (a Palavra), representado pelo carneiro, para ser sacrificado em seu lugar. Filo também identifica o Logos como o Mashiach. Assim, o carneiro aponta para o sacrifício do Mashiach, que Yeshua cumpre (João 1:1: "No princípio era o Verbo").
5. O Cordeiro Preparado desde a Eternidade
R. Louis Ginzberg relata que o carneiro substitutivo de Yitschak foi "criado no crepúsculo da véspera do sábado, na semana da criação, e preparado desde então como holocausto em lugar de Yitschak."
Da mesma forma, Apocalipse 13:8 (Peshitta) diz que Yeshua é "o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo." Ambos os sacrifícios foram planejados desde a eternidade.
- Interpretação do Midrash: O Midrash não deve ser lido literalmente, mas como uma parábola com lições teológicas. Por exemplo, o Midrash diz que Moisés tinha 5 metros de altura (um "gigante espiritual") ou que Yitschak perdeu a visão porque os anjos choraram de emoção durante suas orações, ensinando que ele era um homem de oração. Aqui, a criação do carneiro na véspera do sábado simboliza que a redenção pelo Cordeiro Mashiach foi planejada desde o início.
6. Yitschak e Yeshua Ressuscitaram (Alegoricamente)
O Pirkê D’Rabi Eliezer (capítulo 31) diz: "Quando a faca atingiu o pescoço de Yitschak, a alma de Yitschak irrompeu e partiu. E desde que Elohim projetou Sua voz... dizendo a Avraham: ‘Não levante a mão’ (Gênesis 22:12), a alma de Yitschak voltou ao seu corpo... e Yitschak sabia que no futuro os mortos seriam revividos." O Zohar e o Midrash HaGadol também alegam que Yitschak foi levado ao Gan Eden por três anos, uma parábola para ensinar a ressurreição dos mortos.
- Paralelo com Yeshua: Yeshua ressuscita ao terceiro dia (Mateus 28:6), cumprindo a tipologia. A "ressurreição" de Yitschak é alegórica, mas aponta para a ressurreição real do Mashiach, como o Oráculo de Histaspes (citado por Clemente de Alexandria) prevê: "Ele... será morto... mas dentro do terceiro dia ele voltará à vida e será levado aos céus."
7. O Sacrifício e o Perdão de Pecados
O sacrifício de Yitschak é lembrado em Rosh Hashaná, um dia associado ao perdão de pecados, como Yom Kipur. O Mechilta conecta o sangue dos cordeiros do Pessach (Êxodo 12:13) ao "sangue do sacrifício de Yitschak", que, por sua vez, é ligado a Isaías 53.
Embora Yitschak não tenha derramado seu sangue, o sangue do carneiro representava o sangue do Mashiach, que expia os pecados.
- 2 Coríntios 5:21: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." O Targum de Isaías (53:10) diz que o Mashiach é "uma oferta para o pecado." A B’rit Hadashah aplica esses símbolos a Yeshua, refletindo conceitos teológicos contemporâneos ao Judaísmo do Segundo Templo.
8. O Messianismo Catastrófico e o Cordeiro Vitorioso
Textos apocalípticos judaicos, como o Testamento dos 12 Patriarcas (106-109 a.C.), descrevem um Messias que morre e ressuscita. O Oráculo de Histaspes, conhecido por Paulo (segundo Clemente de Alexandria), prevê: "Ele lutará contra o profeta de D’us, o vencerá e o matará... mas dentro do terceiro dia ele voltará à vida." O "profeta de D’us" é o Mashiach, e o "falso profeta" é seu adversário.
- Messianismo Catastrófico (Israel Knohl): Hinos de adoração do Judaísmo do Segundo Templo, como os encontrados entre os Essênios, descrevem um Messias celestial que desce à terra, morre como servo sofredor para expiação, ressuscita e retorna ao céu. Flávio Josefo observa que os Essênios raramente erravam suas profecias.
- Apocalipse e Pessach: O tema do "cordeiro vencendo" permeia o Apocalipse (5:6-14), que é profundamente conectado ao Pessach. Alguns autores também associam Apocalipse a Shavuot, mas o foco principal é a redenção pascal, que Yeshua cumpre.
9. O Etíope e a Revelação do Cordeiro
Atos 8:26-39 relata o encontro de Filipe com um oficial etíope (não eunuco, conforme a tradição), que lia Isaías 53. Filipe explica que o Servo Sofredor é Yeshua, levando o etíope à conversão. A literatura apocalíptica judaica, como o Testamento dos 12 Patriarcas, também reflete essa expectativa de um Messias sofredor.
- Conversão e convencimento: A conversão do etíope ilustra a revelação sobrenatural do Cordeiro Mashiach, que só pode ser compreendida através das festas, como Pessach, que Apocalipse ecoa.
Respondendo aos Antimissionários
Os antimissionários alegam que o Judaísmo não espera um Messias sofredor que morre e ressuscita, mas:
- Carregando a cruz: Yitschak e Yeshua carregaram o instrumento de seu sacrifício, e os crentes são chamados a imitar esse exemplo.
- Tentação de HaSatan: Tanto Yitschak quanto Yeshua enfrentaram oposição, prefigurando as tentações dos crentes.
- Expiação pelo sangue: O sangue do carneiro na Akedah e o sangue de Yeshua trazem expiação, como 1 João 1:7 confirma.
- Cordeiro substitutivo: Yitschak e Yeshua são associados ao "cordeiro" via Gezerá Shavá, e Filo de Alexandria conecta o carneiro ao Logos-Mashiach.
- Preparação eterna: O carneiro e o Cordeiro Mashiach foram planejados desde a criação.
- Ressurreição: A "ressurreição" alegórica de Yitschak prefigura a ressurreição real de Yeshua, como previsto no Oráculo de Histaspes.
- Messianismo Catastrófico: Textos judaicos antigos esperavam um Messias que morre e ressuscita, como Yeshua.
Conclusão: Yeshua, o Cordeiro Mashiach
O Cordeiro Mashiach é real esperança do Judaísmo, simbolizada pela Akedah, pelo Pessach e por Isaías 53. Yitschak e Yeshua carregaram sua cruz, enfrentaram HaSatan, e seus sacrifícios trouxeram expiação pelo sangue.
O carneiro substitutivo, preparado desde a criação, prefigura o Cordeiro Mashiach, que morre e ressuscita, como textos apocalípticos judaicos preveem.
Yeshua, ao cumprir essas tipologias, é o Cordeiro vitorioso de Apocalipse, que redime o povo. Convidamos o leitor a refletir: seria Yeshua o Cordeiro Mashiach que o Judaísmo antigo esperava, como o Judaísmo Nazareno proclama?
Que o Eterno o Abençoe!
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