🌿Série Jesus/Yeshua NÃO é o Mashiach - Seus Erros e Mentiras - Parte 2 – A Refutação do Judaísmo Nazareno

 
Imagem: Messias segundo Zacarias. (D'Almeida)

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Oliveira Viva

Jesus/Yeshua NÃO é o Mashiach

 Seus Erros e Mentiras -  Parte 2

O que dizem as Profecias Judaicas?

Alexandre D'Almeida

26 de setembro de 2025


Na continuação de sua crítica, os antimissionários persistem em afirmar que Yeshua não pode ser o Messias, alegando que os textos do Ketuvim Netzarim (Novo Testamento) contêm erros históricos, interpretações erradas das Escrituras e conceitos teológicos incompatíveis com o Judaísmo.

Eles questionam passagens específicas, como a genealogia de Yeshua, a citação de Jeremias sobre o massacre de crianças, a menção de Isaías sobre a virgem que conceberá, e outras profecias que, segundo eles, foram mal aplicadas ou inventadas.

Nesta continação do estudo, examinamos essas objeções, refutando-as com base no Tanakh, na literatura rabínica, em tradições judaicas e em evidências históricas.

Demonstraremos que as interpretações do Judaísmo Nazareno sobre Yeshua como o Messias estão firmemente enraizadas nas tradições judaicas, desafiando as acusações de erro e mentira.

1. Mateus 1:1-17: A Genealogia de Yeshua – Um Suposto Erro?

Antimissionários questionam a genealogia de Yeshua apresentada em Mateus 1:1-17, que traça sua linhagem até Davi e Abraão, afirmando que ela contém erros e contradições em relação à genealogia de Lucas 3:23-38. 

Eles argumentam que, se Yeshua é o Messias, sua linhagem deve ser clara e consistente, e que a inclusão de José, que não seria seu pai biológico (devido à concepção virginal), invalida a genealogia.

No entanto, a tradição judaica permite flexibilidade nas genealogias, especialmente em contextos messiânicos.

Mateus e Lucas apresentam genealogias diferentes porque têm propósitos distintos: Mateus enfatiza a linhagem real de Yeshua através de José, seu pai legal, conectando-o à casa de Davi, enquanto Lucas traça a linhagem biológica através de Maria, também descendente de Davi.

No Judaísmo do Segundo Templo, a descendência davídica era essencial para o Messias (2 Samuel 7:12-16), e a adoção legal por José, como pai terreno de Yeshua, era suficiente para estabelecer sua linhagem real.

  • Targum de Crônicas: Comenta que o Messias virá da casa de Davi, e a linhagem pode ser traçada por meio de descendência legal ou biológica.

  •  Midrash Rabbah (sobre Rute 4:18-22): Afirma que a linhagem davídica do Messias pode incluir variações, desde que a conexão com Davi seja mantida.

Além disso, Mateus organiza a genealogia em três grupos de 14 gerações (Mateus 1:17), um recurso estilístico comum no Judaísmo para destacar a importância teológica do Messias. Omidrash frequentemente omite nomes para fins didáticos, como em Esdras 7:1-5, que abrevia a genealogia de Arão.

A objeção antimissionária ignora essas práticas judaicas, que Mateus, como judeu, segue rigorosamente. Yeshua, através de José (legalmente) e Maria (biologicamente), é um descendente legítimo de Davi, cumprindo a profecia messiânica.

2. Mateus 2:16-18: O Massacre das Crianças e a Citação de Jeremias – Uma Profecia Forjada?

Mateus 2:16-18 descreve o massacre das crianças em Belém ordenado por Herodes, citando Jeremias 31:15: "Assim diz o Senhor: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; Raquel chora por seus filhos e não se deixa consolar, porque já não existem."

Antimissionários alegam que Jeremias 31:15 não é uma profecia messiânica, mas uma referência ao exílio babilônico, e que o massacre descrito por Mateus não tem evidência histórica, sugerindo que Mateus inventou o evento para forçar uma conexão profética.

Primeiramente, o contexto de Jeremias 31 é, de fato, o exílio, mas os versículos seguintes (Jeremias 31:16-17) prometem restauração: "Refreia a tua voz do choro... porque os teus filhos voltarão do país do inimigo."

No Judaísmo, profecias frequentemente têm duplo cumprimento: um histórico e outro escatológico. Mateus usa o método drash (interpretação midráshica), comum no Judaísmo, para aplicar Jeremias 31:15 ao massacre de Belém, vendo-o como um eco do sofrimento de Israel que culmina na era messiânica.

  • Midrash Rabbah (sobre Jeremias 31:15): Relaciona o choro de Raquel à dor de Israel, mas também à esperança de redenção, que os rabinos associam ao Messias.
  • Targum de Jeremias 31:15: "Raquel chora por seus filhos, mas o Eterno a consola, prometendo a volta dos exilados e a redenção final", que muitos rabinos conectam ao Messias.

Quanto à historicidade do massacre, Josefo não o menciona diretamente, mas Herodes era conhecido por sua crueldade, como relatado em Antiguidades Judaicas (17:6:2), onde ele ordena a execução de seus próprios filhos.

O massacre de crianças em Belém, uma cidade pequena, pode não ter sido registrado por Josefo, mas é consistente com o caráter de Herodes. Mateus, ao citar Jeremias, não inventa uma rofecia, mas a interpreta midrashicamente, conectando o sofrimento de Raquel ao nascimento do Messias, que trará a redenção final.

3. Mateus 1:22-23: "A Virgem Conceberá" – Uma Má Interpretação de Isaías 7:14?

Mateus 1:22-23 cita Isaías 7:14: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel", aplicando-o ao nascimento de Yeshua. Antimissionários argumentam que Isaías 7:14 não é uma profecia messiânica, mas um sinal para o rei Acaz, e que a palavra hebraica almah significa "jovem", não "virgem".

Eles alegam que Mateus, ao usar a Septuaginta (que traduz almah como parthenos, "virgem"), distorce o texto.

No contexto histórico, Isaías 7:14 é um sinal para Acaz: uma jovem (almah) dará à luz um filho chamado Emanuel, e antes que o menino saiba rejeitar o mal, os inimigos de Judá serão destruídos (Isaías 7:15-16). Contudo, a tradição judaica reconhece um duplo cumprimento em muitas profecias, e Isaías 7:14 foi interpretado como messiânico por vários rabinos:

  • Targum de Isaías 7:14: "Eis que a jovem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel, que significa ‘Deus está conosco’." Embora o Targum não mencione "virgem", a associação com o nome "Emanuel" é vista como messiânica.

  • Midrash Tehilim (sobre Salmo 2): Relaciona o "filho" de Isaías 7:14 ao Messias, que trará a presença divina (Emanuel).

  • Rashi: Embora interprete Isaías 7:14 como um sinal para Acaz, reconhece que alguns rabinos o viam como messiânico.

A palavra almah pode significar "jovem", mas em contextos como Provérbios 30:19 ("o caminho de um homem com uma almah"), implica uma jovem virgem, pois a cultura judaica presumia a virgindade de uma mulher solteira.

A Septuaginta, traduzida por judeus no século III a.C., usa parthenos (virgem), refletindo uma interpretação antiga. Mateus, ao citar a Septuaginta, segue essa tradição.

Yeshua, nascido de Maria, uma virgem (Lucas 1:27), cumpre a profecia no sentido escatológico, enquanto o cumprimento histórico pode se referir a um filho nascido na época de Acaz.

4. Mateus 2:15: "Do Egito Chamei Meu Filho" – Uma Aplicação Errada de Oséias 11:1?

Mateus 2:15 cita Oséias 11:1: "Do Egito chamei o meu filho", aplicando-o à fuga de Yeshua para o Egito e seu retorno. Antimissionários argumentam que Oséias 11:1 refere-se ao Êxodo de Israel, não ao Messias, e que Mateus tira o versículo do contexto.

Oséias 11:1, em seu contexto original, diz: "Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho." Claramente, refere-se ao Êxodo (Êxodo 4:22). No entanto, Mateus usa o método remez (insinuação), comum no Judaísmo, para ver Yeshua como o cumprimento tipológico de Israel. No Judaísmo, o Messias frequentemente é visto como a personificação de Israel:

  • Midrash Rabbah (sobre Oséias 11:1): "Israel é meu filho primogênito, e o Messias é o verdadeiro Israel que cumpre a vocação do povo."
  • Targum de Oséias 11:1: Embora não mencione o Messias diretamente, interpreta o "filho" como Israel, mas a tradição rabínica posterior conecta o Messias a Israel como seu representante.

Mateus, ao aplicar Oséias 11:1 a Yeshua, vê o Messias como o novo Israel, que recapitula a história do povo: assim como Israel foi chamado do Egito, Yeshua, o Messias, também o foi. Essa interpretação tipológica é consistente com as práticas judaicas de encontrar significados mais profundos nas escrituras.

5. A Rejeição do Messias e Sua Expiação: Uma Invenção Cristã?

Antimissionários afirmam que a ideia de um Messias rejeitado, que sofre e morre para expiar pecados, é uma invenção cristã, incompatível com o Judaísmo. No entanto, essa concepção é profundamente enraizada no Tanakh e na tradição judaica:

  •  Isaías 53:3-5: "Desprezado e rejeitado pelos homens... ele foi traspassado pelas nossas transgressões... e pela sua pisadura fomos sarados." O servo sofredor é identificado como o Messias por muitas fontes judaicas.

  • Targum de Isaías 53: "O servo sofredor é o Messias."

  • Zohar (sobre Isaías 53): "O Messias convoca todas as aflições, dores e sofrimentos de Israel para caírem sobre si... se Ele não tivesse aliviado os filhos de Israel de suas tristezas, não haveria ninguém que pudesse suportar o sofrimento de Israel."

  • Rabbi Moshe Alshich (século XVI): "O Messias tomará sobre si toda a culpa de Israel... e deve então o Messias ser morto para fazer uma expiação (kapará)."

A rejeição e a morte expiatória do Messias não são invenções cristãs, mas conceitos judaicos que Yeshua cumpre, como descrito em Mateus 27 e João 19.

6. Mateus 27:9-10: A Citação de Jeremias sobre as 30 Moedas – Um Erro de Atribuição?

Mateus 27:9-10 cita uma profecia sobre as 30 moedas de prata pagas pela traição de Yeshua, atribuindo-a a Jeremias: "Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: ‘Tomaram as trinta moedas de prata... e as deram pelo campo do oleiro, como o Senhor me ordenou’." Antimissionários apontam que essa profecia não está em Jeremias, mas em Zacarias 11:12-13, sugerindo um erro de Mateus.

No entanto, Mateus usa uma prática comum no Judaísmo: a citação combinada. Zacarias 11:12-13 diz: "Pesei o meu salário, trinta moedas de prata... e as atirei na casa do Senhor, ao oleiro." Jeremias 32:6-9 menciona a compra de um campo, e Jeremias 18:2-3 fala de um oleiro.

Mateus combina essas passagens, atribuindo a citação ao profeta mais proeminente, Jeremias, uma prática chamada davar halamed me’inyano (o texto é explicado pelo contexto), comum no Talmud:

  • Talmud Berachot 10a:Combina passagens de diferentes profetas sob o nome do mais conhecido.
  • Midrash Rabbah (sobre Zacarias 11): Relaciona o "campo do oleiro" à redenção, que os rabinos associam ao Messias.

Mateus não erra; ele segue uma prática rabínica de sintetizar textos para destacar o cumprimento profético. As 30 moedas de Judas, usadas para comprar o campo do oleiro (Mateus 27:7), cumprem Zacarias 11:12-13, com ecos temáticos em Jeremias.

Respondendo aos Antimissionários

Os antimissionários alegam que Yeshua não é o Messias, mas:

1.     Genealogia de Mateus: Segue práticas judaicas de linhagem legal e estilística, confirmando Yeshua como descendente de Davi.

2.     Jeremias 31:15: Mateus aplica a profecia midrashicamente, e o massacre de Belém é historicamente plausível.

3.     Isaías 7:14: A interpretação de almah como "virgem" é antiga, e a profecia tem duplo cumprimento, histórico e messiânico.

4.     Oséias 11:1: Mateus usa remez, vendo Yeshua como o novo Israel, uma interpretação tipológica judaica.

5.     Rejeição e expiação: Isaías 53 e o Zohar mostram que o Messias sofredor é uma ideia judaica.

6.     Mateus 27:9-10: A citação combinada de Zacarias e Jeremias é uma prática rabínica, não um erro.

Conclusão: Yeshua e as Profecias Judaicas

As objeções antimissionárias, que acusam o Judaísmo Nazareno de erros e mentiras, não resistem a uma análise cuidadosa. Mateus e os autores do Ketuvim Netzarim usam métodos interpretativos judaicos — drash, remez, pesher e citação combinada — para mostrar que Yeshua cumpre as profecias do Tanakh.

Sua genealogia o conecta a Davi; o massacre de Belém ecoa Jeremias 31:15; sua concepção virginal cumpre Isaías 7:14; sua fuga ao Egito reflete Oséias 11:1; sua rejeição e morte expiatória alinham-se com Isaías 53; e as 30 moedas de prata cumprem Zacarias 11:12-13. 

Yeshua não é uma invenção cristã, mas o Messias que as tradições judaicas esperavam. Convidamos o leitor a explorar essas fontes e refletir: seria Yeshua o Messias que cumpre as Escrituras, como o Judaísmo Nazareno proclama?


Que o Eterno o Abençoe!




Alexandre D'Almeida

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