🌿Série Jesus/Yeshua NÃO é o Mashiach - Seus Erros e Mentiras - Parte 1 – A Refutação do Judaísmo Nazareno

Imagem: Messias segundo Zacarias. (D'Almeida)

🌿

Oliveira Viva

Jesus/Yeshua NÃO é o Mashiach

 Seus Erros e Mentiras -  Parte 1

O que dizem as Profecias Judaicas?

Alexandre D'Almeida

25 de setembro de 2025


Os antimissionários frequentemente alegam que Yeshua não pode ser o Messias, apontando supostas contradições e erros nos textos do Ketuvim Netzarim (Novo Testamento) que, segundo eles, invalidam sua messianidade.

Eles argumentam que profecias atribuídas a Yeshua não têm base no Tanakh, que eventos históricos descritos são improváveis e que conceitos como a expiação pelo sangue do Messias são invenções cristãs.

Esta série de estudos, examina cinco objeções específicas levantadas pelos antimissionários, refutando-as com base no Tanakh, na literatura rabínica e em evidências históricas. Demonstraremos que as interpretações do Judaísmo Nazareno sobre Yeshua como o Messias estão profundamente enraizadas nas tradições judaicas, desafiando as alegações de erro e mentira.

1. Mateus 2:23: "Ele Será Chamado Nazareno" – Uma Profecia Inexistente?

Mateus 2:23 afirma que Yeshua foi morar em Nazaré "para se cumprir o que foi dito pelos profetas: ‘Ele será chamado Nazareno’".

Os antimissionários questionam: onde, no Tanakh, está essa profecia? Nenhum profeta menciona explicitamente "Nazareno".

Para responder, é necessário analisar o contexto linguístico e interpretativo.

Em hebraico, "Nazaré" é Natzrat, "Nazareno" é Natzri, e "rebento" ou "broto" é Netzer, todos derivados da mesma raiz N-TZ-R. Isaías 11:1, uma profecia messiânica amplamente reconhecida, diz: "Brotará um rebento (Netzer) do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará."

O texto prossegue: "Repousará sobre ele o Espírito do Senhor... e julgará com justiça os pobres" (versículos 2-4). A tradição judaica interpreta isso como uma referência ao Messias:

  • Targum de Isaías 11:1 "E sairá dentre os filhos de Jessé o Messias que será levantado dentre os filhos de seus filhos." O Targum substitui Netzer por "Messias", confirmando a leitura messiânica.

  •  Mikraot Gedolot: Isaías 11 fala do "Rei Messias que virá redimi-los", e a "raiz de Jessé" alude ao Melech HaMashiach.
  • Midrash Rabbah: Relaciona o "Espírito de Elohim" de Gênesis 1:2 ao Espírito do Messias, citando Isaías 11:2: "E o Espírito do Eterno repousará sobre Ele."

  •  Ibn Ezra (sobre Isaías 11): "Porque este é o Messias."

  • Metzudat David: "HaShem está falando sobre o templo do Messias em Isaías 11."

  • Midrash Tehilim 72:2: "Isaías 11 é sobre as decisões de Melech HaMashiach."

Mateus, ao dizer "ele será chamado Nazareno", faz uma interpretação no nível sod (místico) de Isaías 11:1, conectando Netzer (rebento) a Natzri (Nazareno). Essa prática é comum no Judaísmo.

William Soren Heinz observa: "A expressão ‘para cumprir o que é dito’, usada pelos talmudistas, não cita as palavras exatas de Moisés ou dos Profetas, mas seu sentido, ou seja, tudo que é deduzido como um axioma a partir dele e aplicável ao caso presente."

Mateus, como judeu, usou um método interpretativo rabínico, associando o "rebento" messiânico de Isaías ao título "Nazareno", refletindo a origem de Yeshua em Nazaré.

No Judaísmo, há quatro níveis de interpretação das Escrituras: Pshat (literal), Remez (insinuação), Drash (midrash, comparação de textos) e Sod (mistério).

Mateus aplica o nível sod, uma revelação espiritual, prática comum entre rabinos, como no Talmud, onde textos são reinterpretados para extrair significados mais profundos.

Assim, a objeção de que Mateus "inventou" uma profecia é infundada; ele interpretou Isaías 11:1 de forma consistente com as tradições judaicas.

2. Lucas 2:1: O Censo Romano e o Retorno à Cidade Natal – Um Evento Improvável?

Lucas 2:1-3 descreve um censo ordenado por César Augusto, exigindo que "todos se alistassem, cada um na sua cidade natal", levando José e Maria a Belém. 

Os antimissionários questionam a veracidade histórica desse evento, alegando que Roma não exigiria que as pessoas retornassem às suas cidades de origem para um censo, o que seria logisticamente inviável.

No entanto, evidências históricas confirmam que tais práticas ocorreram no Império Romano:

  • Lapis Venetus: Um artefato que documenta o censo de Quirino, governador da Síria, mencionado por Lucas. Confirma que recenseamentos eram realizados na região.

  • Josefo (Antiguidades 18:1): Relata que era comum realizar censos, e as pessoas frequentemente se registravam em suas cidades de residência ou origem.

  • Ulpiano (jurista romano): Afirma que, em algumas ocasiões, o Império Romano determinou que as pessoas retornassem às suas cidades natais para recenseamento, e que houve mais de um censo.

  • Emil Schürer (History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ, Vol. I, p. 403, nº 5): Fornece dados históricos que corroboram o evento descrito por Lucas. 

  • Vibius Maximus (104 d.C.): Determinou no Egito que as pessoas voltassem às suas cidades natais para um recenseamento, provando que essa prática, embora rara, era real.

Embora o censo descrito por Lucas possa parecer incomum, a prática de retornar à cidade natal para recenseamento é historicamente atestada.

A objeção antimissionária, portanto, carece de fundamento, pois subestima as evidências históricas que confirmam a narrativa de Lucas.

3. Miquéias 5:2: O Messias Nasceria em Belém – Uma Necessidade ou Não?

Mateus 2:5-6 cita Miquéias 5:2: "E tu, Belém Efrata, pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel." Antimissionários argumentam que o Messias não precisava nascer em Belém, e que os rabinos modernos afirmam que ele poderia nascer em qualquer lugar, sugerindo que Miquéias não deve ser interpretado literalmente.

No entanto, a tradição judaica antiga é clara sobre o local de nascimento do Messias:

  • Targum de Miquéias 5:2: "Mas tu, Belém de Efrata, foste tão pequena para ser contada entre os milhares da casa de Judá, ‘de ti sairá adiante de mim o Messias’ para executar o governo sobre Israel, cujo nome é proferido desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." O Targum explicitamente identifica o Messias como nascido em Belém, refutando a ideia de que o local é irrelevante.

A interpretação rabínica moderna que minimiza Belém parece uma tentativa de desassociar Yeshua, que nasceu em Belém (Lucas 2:4-7), dessa profecia.

Contudo, o Targum, um texto autoritativo no Judaísmo antigo, confirma que Miquéias 5:2 é uma profecia messiânica que aponta para Belém como o local de nascimento do Messias. Yeshua, ao nascer lá, cumpre essa expectativa.

4. A Expiação pelo Sangue do Messias: Uma Invenção Cristã?

Antimissionários alegam que a ideia de que o Messias foi sacrificado e seu sangue expia pecados é uma invenção cristã, incompatível com o Judaísmo. Eles rejeitam que o sangue humano possa trazer kapará (expiação).

No entanto, Isaías 53 e diversas fontes rabínicas mostram que essa ideia é profundamente judaica:

  •  Isaías 53:5-12: "Ele foi traspassado pelas nossas transgressões... e pela sua pisadura fomos sarados... quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade... porquanto derramou a sua alma na morte." O servo sofredor, identificado como o Messias por muitas tradições judaicas, morre para expiar os pecados do povo.

  • Targum de Isaías 53: O servo sofredor é explicitamente chamado de Messias.

  • Manuscritos do Mar Morto (Regra de Damasco, coluna 14:19): "E esta é a exata interpretação da norma até que surja o Messias de Haron a Israel, Ele expiará por seus pecados e será castigado."

  • Rabbi Saadia Gaon (Kitav 8:6): "Ele, o Messias, pode ser comparado com aquele que limpa com fogo os membros da nação que cometeram pecados graves... como a Escritura nota: ‘Porque Ele é como o fogo do ourives e como o sabão do lavandeiro’ (Malaquias 3:2)."

  • Rabbi Isaiah Avraham Horowitz: "Porque Ele, o Messias, irá oferecer a sua vida e derramará a vida até a morte (Isaías 53:12), e o seu sangue expiará pelo povo junto ao Eterno."

  • Zohar: "No Gan Eden há um salão, chamado salão do aflito... é para dentro deste salão que o Messias vai e convoca todas as aflições, as dores e o sofrimento de Israel para caírem sobre si... se Ele não tivesse aliviado os filhos de Israel de suas tristezas e tomado o fardo sobre si, não haveria ninguém que pudesse suportar o sofrimento de Israel... como está escrito: ‘Certamente as nossas doenças ele suportou e as nossas dores ele carregou’ (Isaías 53)."

Essas fontes mostram que a ideia de um Messias que sofre, morre e expia os pecados do povo com seu sangue é uma tradição judaica, não uma invenção cristã. Yeshua, ao morrer, cumpre Isaías 53, e seu sangue traz kapará, como previsto.

5. Hebreus 9:22: "Sem Derramamento de Sangue Não Há Remissão" – Um Erro?

Hebreus 9:22 (Peshitta, traduzida por Tsadok) diz: "Porque toda coisa, de acordo com a Torá, é purificada com o sangue, e sem derramamento de sangue não há remissão." Antimissionários argumentam que isso é um erro, pois muitas pessoas no Tanakh foram perdoadas sem derramamento de sangue, como Nínive (Jonas 3). Eles afirmam que isso invalida o livro de Hebreus.

No entanto, Hebreus 9:22 refere-se especificamente ao contexto de Yom Kipur, o Dia da Expiação, descrito em Levítico 16. Nesse dia, o Kohen HaGadol (Sumo Sacerdote) entrava no Kodesh HaKodashim (Santo dos Santos) com o sangue do bode sacrificial para expiar os pecados de Israel: "Pois é o sangue que fará expiação em virtude da vida" (Levítico 17:11). O Talmud corrobora essa visão:

  • Talmud Zevachim 6a: "Certamente a kapará, a expiação, só pode ser feita com o sangue, como ele diz: ‘Pois é o sangue que fará expiação em virtude da vida’."

  • Talmud Yoma 5a: "Será que a imposição da mão na cabeça do animal faz a expiação? Não, isso não faz expiação, a expiação vem através do sangue, pois é dito: ‘É o sangue que faz expiação em virtude da vida’."

  • Outras referências no Talmud: Zevachim 10b-11a, 38a, 38b, 82b, 83a, 47b, 11a, 92b, 46a, 52a, 52b, 65a, 66a, 15a, 25a, 82a, 34b, 35a, 60a; Yoma 48a, 49b, 50a, 61a, 62a; Menachot 16a, 26b; Hulim 35b; Pesachim 62a, 77a, 78b, 79a, 65a, 65b; Mellah 15b.

Embora o perdão sem sangue ocorra em outros contextos (como em Nínive, por arrependimento), em Yom Kipur, a expiação exigia sangue.

Hebreus faz um midrash, aplicando esse princípio ao Messias: se o sangue de um animal em Yom Kipur expia, quanto mais o sangue do Messias, que é infinitamente perfeito.

Yeshua não realizou um sacrifício humano idólatra, mas uma mesirat nefesh (entrega da alma), como descrito em Salmo 22:17, Zacarias 12:10 e Isaías 53.

6. João 19:33-37 e Zacarias 12:10: O Pranto que Não Ocorreu?

João 19:33-37 cita Zacarias 12:10: "Olharão para mim, a quem traspassaram", aplicando-o à crucificação de Yeshua. Antimissionários argumentam que o contexto de Zacarias exige um pranto coletivo, que não ocorreu na morte de Yeshua, pois apenas alguns discípulos choraram.

Zacarias 12:10 é uma profecia escatológica: "E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito." João, como judeu, usa o método interpretativo pesher, comum entre os essênios e outros grupos judaicos.

No pesher, uma profecia futura é aplicada a um evento presente para extrair lições espirituais. João aplica Zacarias 12:10 à crucificação, onde Yeshua foi traspassado (João 19:34), mas isso não exclui o cumprimento futuro da profecia.

O Talmud Sukkah 52a interpreta Zacarias 12:10 como messiânico, associando-o ao Messias ben Yossef, que morre. A profecia se cumprirá plenamente no retorno de Yeshua, quando, conforme Apocalipse 1:7, "todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele." Nesse momento, Israel pranteará, como Zacarias prediz, reconhecendo o Messias que rejeitou.

Respondendo aos Antimissionários

Os antimissionários alegam que Yeshua não é o Messias, mas:

  1. Mateus 2:23: A conexão entre "Nazareno" e Netzer (Isaías 11:1) é uma interpretação válida no nível sod, prática comum no Judaísmo.
  2. Lucas 2:1: O censo romano é historicamente atestado por fontes como Josefo e Vibius Maximus.
  3.  Miquéias 5:2: O Targum confirma que o Messias nasceria em Belém, e Yeshua cumpre isso.
  4. Expiação pelo sangue: Isaías 53, o Zohar e outros textos judaicos mostram que o Messias expia com seu sangue, uma ideia judaica, não cristã.
  5. Hebreus 9:22: Refere-se a Yom Kipur, onde o sangue é essencial para a kapará, e o Talmud corrobora essa visão.
  6. Zacarias 12:10: João usa o método pesher, aplicando a profecia à crucificação, com um cumprimento futuro no retorno de Yeshua.

Conclusão: Yeshua e as Profecias Judaicas

As objeções antimissionárias, que acusam o Judaísmo Nazareno de erros e mentiras, desmoronam diante das evidências do Tanakh, da literatura rabínica e da história. 

  • Mateus interpreta Isaías 11:1 de forma consistente com as práticas rabínicas; 
  • O censo de Lucas é historicamente plausível; 
  • Miquéias 5:2 é uma profecia messiânica cumprida por Yeshua; 
  • A expiação pelo sangue do Messias é uma ideia judaica atestada por Isaías 53 e pelo Zohar; 
  • Hebreus 9:22 reflete o ritual de Yom Kipur, confirmado pelo Talmud; 
  • Zacarias 12:10, aplicado por João, aponta para um cumprimento futuro. 

Yeshua, longe de ser uma invenção, alinha-se com as expectativas messiânicas judaicas. Convidamos o leitor a explorar essas fontes e refletir: seria Yeshua o Messias que cumpre as profecias do Tanakh, como o Judaísmo Nazareno proclama?


Que o Eterno o Abençoe!




Alexandre D'Almeida

Conheça já os livros:  Visite o perfil do Autor no Amazon e Uiclap e conheça melhor suas obras



Conheça os livros:  

Entre Jerusalém e Emaús

UICLAP - AMAZON

Eu Queria Ser Ateu

UICLAP - AMAZON

O MESSIAS OCULTO

UICLAP - AMAZON

O MESSIAS E A REDENÇÃO DE ISRAEL

UICLAP - AMAZON

As Festas do Reino: Honrando Jesus nas Celebrações Bíblicas

UICLAP - AMAZON

O Segredo da Arábia: A Jornada Silenciosa de Paulo e a Revelação do Messias nas Escrituras

UICLAP - AMAZON

SABEDORIA JUDAICA: Introdução à Hermenêutica e Exegese Judaica Antiga

UICLAP - AMAZON

NOSSOS PAIS FARISEUS: A Reparação de uma História Esquecida

UICLAP - AMAZON

PALAVRAS EM CHAMAS - Yom Hashoah: Lembrança em Tempos de Antissemitismo Crescente

UICLAP - AMAZON

DEUS Rejeitou Israel?

UICLAP - AMAZON



 

Comentários