🌿Lendo Moisés, Vendo Jesus: A Torá como Narrativa de Graça e Esperança Messiânica
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Oliveira Viva
Lendo Moisés, Vendo Jesus
A Torá como Narrativa de Graça e Esperança Messiânica
Alexandre D'Almeida
Neste estudo, mergulhamos na jornada transformadora do Dr. Seth Postell, coautor do livro Lendo Moisés, Vendo Jesus (Editora Chamada), que revela uma nova perspectiva sobre a Torá (os cinco livros de Moisés).
Baseado no livro e no Pod for Israel, no qual Postell compartilha suas descobertas com o apresentador, exploramos como a Torá não é apenas um livro de leis, mas uma narrativa profética que aponta para a esperança dos "últimos dias", a vinda do Messias e a promessa de um novo coração.
Essa visão, que mudou a vida de Postell ao longo de 23 anos, oferece uma leitura renovada das Escrituras, conectando a Torá ao Novo Testamento e revelando Yeshua (Jesus) como o cumprimento de suas promessas.
1. Uma Jornada de Descoberta: A Torá Além das Leis
O Dr. Seth Postell, um judeu seguidor de Yeshua e professor no One For Israel Bible College, compartilhando sua experiência de mais de duas décadas estudando a Torá. Em 2000, ele foi convidado a preparar um curso sobre a Torá para um programa de discipulado em Israel.
Apesar de já ter estudado os cinco livros de Moisés (Gênesis, Êxodo, LevÃtico, Números e Deuteronômio) durante sua formação em uma faculdade bÃblica, Postell enfrentou desafios significativos ao iniciar sua pesquisa.
Ele começou a ler os melhores comentários acadêmicos sobre cada livro da Torá, recomendados por um amigo professor.
No entanto, sentiu-se sobrecarregado por dois motivos principais:
Primeiro, os comentários pareciam desconexos: não havia uma linha unificadora que conectasse Gênesis a Êxodo, ou Êxodo a LevÃtico, por exemplo.
Segundo, como judeu seguidor de Yeshua, ele acreditava na autoridade do Novo Testamento e nas palavras de Yeshua em João 5:45-46: "Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes posto a vossa esperança.
Pois, se crêsseis em Moisés, crerÃeis em mim, porque de mim escreveu ele." Yeshua afirma que Moisés escreveu sobre Ele, mas os comentários que Postell lia quase não mencionavam nada de messiânico na Torá.
Essa dissonância cognitiva — acreditar nas palavras de Yeshua, mas não saber como defendê-las intelectualmente — o deixou frustrado.
A leitura tipológica, comum entre cristãos, que busca tipos ou sombras de Yeshua na Torá, parecia a muitos judeus uma abordagem forçada, quase como um "circo" ou "carnaval", onde se projeta o Novo Testamento sobre o Antigo. Postell precisava de uma abordagem mais sólida.
2. A Descoberta de uma Nova Perspectiva: A Torá como Narrativa
A virada em sua jornada veio quando um professor de uma faculdade bÃblica nos Estados Unidos recomendou o livro The Pentateuch as Narrative, de John Sailhamer, sem hesitação.
Curiosamente, o professor também previu que Postell faria seu mestrado e doutorado com Sailhamer — algo que não estava nos planos de Postell na época. Ele encomendou o livro e o levou consigo durante um perÃodo de serviço militar de reserva em Israel, em 2000.
Enquanto lia o livro, Postell teve uma revelação que descreve como um momento em que quase "caiu da cadeira". Sailhamer argumenta que a Torá não deve ser lida primariamente como um livro de leis, mas como uma narrativa contÃnua.
Embora as leis estejam presentes, elas fazem parte de uma história maior, que deve ser lida como um filme ou um livro, do inÃcio ao fim, como uma obra de arte narrativa.
Essa abordagem mudou radicalmente a forma como Postell entendia a Torá.
Pela primeira vez, ele se convenceu intelectualmente de que a Torá é um livro profético, orientado para o futuro de Israel.
A narrativa da Torá antecipa o fracasso de Israel sob a aliança do Sinai, prevê a necessidade de um novo coração e uma nova aliança, e fornece a base para a escatologia dos profetas posteriores, como IsaÃas, Jeremias e Ezequiel.
Quando os profetas falam de um "novo coração", um "coração circuncidado" (Ezequiel 36:26), ou uma "nova aliança" (Jeremias 31:31-34), eles estão se baseando em Moisés.
Da mesma forma, a esperança de um Redentor, um Rei futuro ou um Servo Sofredor (IsaÃas 53) também tem suas raÃzes na Torá.
Essa descoberta levou Postell a estudar com Sailhamer, onde completou seu mestrado e doutorado, antes de retornar a Israel para ensinar no One For Israel Bible College.
O livro de Sailhamer não apenas mudou sua vida, mas também o inspirou a compartilhar essa perspectiva com outros, como ele faz no curso mencionado no podcast e no livro Lendo Moisés, Vendo Jesus.
3. A Estrutura da Torá: Poemas Proféticos e os "Últimos Dias"
Uma das contribuições mais significativas de Sailhamer, segundo Postell, é a identificação de poemas ou monólogos estratégicos que estruturam a narrativa da Torá.
Esses poemas, que aparecem em momentos-chave, funcionam como "músicas" em um musical, destacando os pontos altos da história e apontando para os "últimos dias". Postell destaca três exemplos principais:
· Gênesis 49:1: No final das narrativas patriarcais, Jacó reúne seus filhos para abençoá-los e diz: "Ajuntai-vos, e eu vos direi o que vos há de acontecer nos últimos dias" (Gênesis 49:1, tradução literal do hebraico). A expressão "últimos dias" (acharit hayamim) não é apenas "dias futuros", mas um termo técnico que, segundo o rabino medieval David Kimchi (Radak), refere-se à era messiânica. Nesse contexto, Jacó profetiza sobre um rei que virá de Judá (Gênesis 49:10), apontando para o Messias.
· Números 24:14: No final das jornadas de Israel pelo deserto, Balaão, ao tentar amaldiçoar Israel, profetiza: "Agora, eis que vou ao meu povo; vem, avisar-te-ei do que este povo fará ao teu povo nos últimos dias" (Números 24:14). Poucos versÃculos depois, ele declara: "Eu o vejo, mas não agora; eu o contemplo, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel" (Números 24:17), uma clara referência a um rei messiânico futuro.
· Deuteronômio 31:28-29, 32 e 33: Antes de sua morte, Moisés reúne os anciãos de Israel e diz: "Porque sei que, depois da minha morte, vos corrompereis e vos desviareis do caminho que vos ordenei; então, este mal vos sobrevirá nos últimos dias" (Deuteronômio 31:29). Essa introdução prepara o cenário para dois poemas: o Cântico de Moisés (Deuteronômio 32), que profetiza a apostasia de Israel, sua dispersão e a redenção final, e a Bênção de Moisés (Deuteronômio 33), que abençoa as tribos e aponta para a esperança futura.
Postell observa que a expressão "últimos dias" aparece poucas vezes na Torá, mas sua qualidade é mais importante que a quantidade. Esses poemas, centrados no tema da bênção, são estruturalmente significativos, marcando transições importantes na narrativa e orientando o leitor para a esperança escatológica.
A Torá, portanto, é um livro que olha para o futuro, enfatizando que as bênçãos prometidas a Abraão, a Israel e às nações (Gênesis 12:3) só se cumprirão plenamente nos "últimos dias", na era messiânica.
4. A Torá e a Nova Aliança: A Esperança dos "Últimos Dias"
A ênfase nos "últimos dias" revela um tema central da Torá: a incapacidade de Israel de cumprir a aliança do Sinai e a necessidade de uma nova aliança. Postell destaca dois textos em Deuteronômio que estruturam essa mensagem:
· Deuteronômio 4:25-30: Moisés profetiza que, após entrarem na terra, os filhos de Israel se corromperão, adorarão Ãdolos e provocarão a ira do Eterno. Como resultado, serão espalhados entre os povos, mas, "nos últimos dias", buscarão o Eterno com todo o coração e o encontrarão, retornando a Ele (Deuteronômio 4:30). Essa dispersão vai além do exÃlio babilônico, apontando para uma diáspora global, e a restauração é situada no contexto escatológico.
· Deuteronômio 30:1-6: Após descrever as bênçãos e maldições da aliança (Deuteronômio 28-29), Moisés repete a promessa de restauração: quando Israel, disperso entre as nações, retornar ao Eterno com todo o coração, Ele os reunirá, os trará de volta à terra e "circuncidará o vosso coração e o coração da vossa descendência, para amardes o Senhor, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, para que vivais" (Deuteronômio 30:6). Essa circuncisão do coração, distinta da circuncisão fÃsica, é uma promessa de transformação espiritual, um eco da nova aliança descrita por Jeremias (Jeremias 31:31-34) e Ezequiel (Ezequiel 36:26-27).
Postell argumenta que Moisés é o "primeiro pregador da nova aliança". Ele antecipa o fracasso de Israel sob a aliança do Sinai e aponta para uma solução futura: nos "últimos dias", o Eterno transformará o coração de Seu povo, capacitando-o a amá-Lo e obedecê-Lo.
Essa esperança escatológica é a chave para entender as bênçãos prometidas na Torá, que não podem ser alcançadas pela obediência humana, mas apenas pela intervenção divina na era messiânica.
5. A Torá como Narrativa de Graça e Esperança
A leitura da Torá como narrativa também revela que ela é uma história de graça, esperança e fé, e não apenas de leis e fracassos.
Postell destaca que, apesar das constantes falhas de Israel — como a murmuração no deserto (Êxodo 16-17, Números 11) e o pecado do bezerro de ouro (Êxodo 32) —, a narrativa é permeada pela graça de Deus.
Um exemplo marcante é o episódio do bezerro de ouro, um dos momentos mais sombrios da Torá. Após Israel adorar o Ãdolo, o Eterno se revela a Moisés em Êxodo 34:5-7: "O Senhor, o Senhor, Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade e verdade."
Essa revelação, que ocorre no contexto do pecado de Israel, é uma das mais profundas demonstrações da graça, longanimidade e amor de Deus na Torá. Como Postell observa, "onde o pecado abunda, a graça superabunda" (uma ideia que ecoa Romanos 5:20 no Novo Testamento).
A Torá termina em Deuteronômio 33 com uma nota de bênção, a Bênção de Moisés, que reafirma a esperança para Israel. Essa conclusão positiva sublinha que a história da Torá não é apenas sobre fracasso e maldição, mas sobre a promessa de redenção e restauração.
6. A Torá e o Novo Testamento: Um Caminho para Yeshua
Postell contrasta duas formas de ler a Torá: como um livro de leis versus como uma narrativa. A visão rabÃnica tradicional, exemplificada por um rabino que sugeriu que a Torá deveria começar em Êxodo 12 (com as leis da Páscoa), trata a Torá primariamente como um livro de leis, com narrativas secundárias.
Essa abordagem levou à necessidade de extensas tradições orais, como o Mishná e o Talmud, para explicar e aplicar as leis, resultando em uma vasta biblioteca de interpretações. Postell compara isso a "usar um martelo para coçar as costas": se a Torá precisa de outro livro para explicá-la, talvez a forma de lê-la esteja errada.
Em contraste, ler a Torá como uma narrativa a conecta diretamente ao Novo Testamento. Postell observa que o Novo Testamento, com seus 27 livros, é relativamente "fino" em comparação com a vasta literatura rabÃnica.
A Torá, quando lida como uma história, não leva a mais leis ou tradições orais, mas aos pés de Yeshua. A promessa de um coração circuncidado (Deuteronômio 30:6) encontra seu cumprimento na obra de Yeshua, que, segundo o Novo Testamento, inaugura a nova aliança (Lucas 22:20, Hebreus 8:8-13).
Yeshua, que frequentemente ensinava por meio de histórias e parábolas, reflete o mesmo método narrativo da Torá, ilustrando o evangelho como uma continuação da história de salvação de Deus.
7. Implicações para Hoje: Lendo a Torá com Novos Olhos
A perspectiva de Postell tem implicações profundas tanto para a leitura pessoal das Escrituras quanto para a apologética, especialmente em contextos judaicos.
No entanto, ao apresentar a Torá como uma narrativa de graça, esperança e escatologia, Postell acredita que é possÃvel abrir os olhos de seus irmãos judeus para verem Yeshua nas Escrituras de Moisés, como Ele mesmo afirmou em João 5:46.
Conclusão: A Torá como uma História de Amor e Redenção
A Torá, quando lida como uma narrativa, revela-se uma história de graça, esperança, fé e escatologia, centrada na promessa dos "últimos dias" e na vinda do Messias.
Ela antecipa o fracasso de Israel sob a aliança do Sinai, mas aponta para uma nova aliança, na qual o Eterno circuncidará o coração de Seu povo, capacitando-o a amá-Lo e obedecê-Lo. Essa narrativa culmina em Yeshua, que cumpre as promessas de Moisés e traz a redenção final.
Postell nos convida a ler a Torá com novos olhos, como uma história de amor e salvação que Deus teceu ao longo de milhares de anos, por meio de diversos autores.
É um convite para ver Yeshua nas palavras de Moisés e para compartilhar essa narrativa com o mundo, especialmente com aqueles que ainda não enxergam a Torá como uma história que aponta para o Messias.
Que possamos, como Postell, colocar os "óculos" dos "últimos dias" e descobrir a beleza da Torá como uma carta de amor de Deus, que nos guia aos pés de Yeshua.
Que o Eterno o Abençoe!
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