🌿Série O Messias de Isaías - Parte 3: Quem Servo Sofredor no Tanakh e no Targum? - Israel ou o Messias?
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Oliveira Viva
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Quem Servo Sofredor no Tanakh e no Targum? - Israel ou o Messias?
Série O Messias de Isaías - Parte 3
Alexandre D'Almeida
Série O Messias de Isaías - Parte 3
Alexandre D'Almeida
Enquanto antimissionários afirmam que ele não se refere a Yeshua HaMashiach, mas ao povo de Israel ou a figuras históricas como um rei da época de Isaías, outras interpretações, incluindo o Targum aramaico e tradições judaicas, apontam para o Messias.
Vamos explorar as múltiplas correntes de interpretação do Servo Sofredor, destacando como o Judaísmo do Segundo Templo e o Targum sustentam a visão messiânica, conectando-a à vida de Yeshua.
Examinemos como o servo pode representar tanto Israel quanto o Messias, unidos pelo princípio da solidariedade judaica, e como a kapará (expiação) pelo sofrimento do Messias reflete uma antiga esperança do povo judeu.
Mecanismos de Expiação e o Justo Sofredor
O Eterno previu no Tanakh diversos meios de kapará — cobrir e redimir pecados —, como orações e oferendas, mas no Judaísmo do Segundo Templo emergiu a ideia de que o sofrimento e a morte de justos (tsadikim) poderiam expiar os pecados do povo.
Isaías 53 descreve um servo que "foi ferido por causa das nossas transgressões" e "levou sobre si o pecado de muitos", sugerindo um sacrifício expiatório.
Antimissionários rejeitam essa leitura como aplicável a Yeshua, mas as tradições judaicas mostram que a expiação pelo sofrimento de um tsadik era amplamente aceita, especialmente em relação ao Messias.
As Quatro Correntes Interpretativas
Quatro interpretações principais emergem sobre a identidade do Servo Sofredor em Isaías 52-53:
1. O Povo de Israel: Defendida por Rashi (século XI), Ibn Ezra (século XII), Radak (século XIII) e outros, essa visão sustenta que o servo é Israel coletivo, sofrendo pelas nações. Isaías 44:1-2 e 49:3 chamam Israel de "servo do Eterno", apoiando essa leitura.
2. O Messias: Sustentada por judeus nazarenos, cristãos e refletida no Targum, além de alguns rabinos, essa corrente vê o servo como o Messias, cuja morte expia pecados, conforme tradições do Segundo Templo.
3. Jeremias: Saadia Gaon (século X) sugere que o servo é o profeta Jeremias, cujos sofrimentos (Jeremias 10:18-24; 11:19) espelham os descritos em Isaías.
4. Moisés: O Talmud (Sotah 14a) associa o servo a Moisés, que sofreu pelo povo, intercedendo por seus pecados.
As duas primeiras correntes — Israel e o Messias — predominam, mas não são mutuamente excludentes, como veremos.
Israel e o Messias: Uma Solidariedade Indissolúvel
Tanto Israel quanto o Messias são chamados "servo do Eterno" no Tanakh, e suas histórias se entrelaçam pelo princípio judaico da solidariedade: todos em Israel são responsáveis uns pelos outros, e o pecado ou a santidade de um reflete no todo.
Assim, o Messias, como representante máximo de Israel, encarna e tipifica sua história. Exemplos dessa conexão incluem:
- Primogênito: Israel é o "primogênito" em Êxodo 4:22-23; o Messias, em Colossenses 1:18.
- Luz às nações: Israel é chamado a proclamar a Torá e ser luz (Isaías 49:6), assim como o Messias (João 8:12).
- Nascimento milagroso: Israel nasce do milagre no ventre de Sara (Gênesis 18:21); o Messias, de uma virgem (Mateus 1:18-23).
- Exílio no Egito: Ambos vão ao Egito para preservar suas vidas (Israel em Gênesis 46; o Messias em Mateus 2:13-15).
- Chamado do Egito: "Do Egito chamei o meu filho" aplica-se a Israel (Oséias 11:1) e ao Messias (Mateus 2:15).
- Rejeição e humilhação: Israel e o Messias são desprezados pelos homens.
- Confronto com Roma: Israel é quase destruído por Roma em 70 d.C.; o Messias, crucificado sob domínio romano.
- Morte e ressurreição: Israel "morre" como nação em 70 d.C. e "ressuscita" em 1948; o Messias morre e ressuscita ao terceiro dia.
Essa relação entre o todo (Israel) e a parte (o Messias) sugere que Isaías 52-53 pode se aplicar a ambos, com o Messias refletindo e redimindo os sofrimentos do povo.
O Targum de Isaías: Uma Leitura Messiânica
Após o exílio babilônico (586-516 a.C.), o povo judeu, alfabetizado em aramaico, precisava de traduções das Escrituras do hebraico para o aramaico. Surgiram os Targuns, que não apenas traduziam, mas comentavam os textos.
O "Targum de Isaías", amplamente respeitado por muitos grupos judaicos como inspirado, interpreta o Servo Sofredor explicitamente como o Messias.
Veja trechos adaptados:
- Isaías 52:13: "Eis que prosperará o meu Servo, o Messias; será exaltado e engrandecido."
- Isaías 53:1-2: "Quem acreditou em nosso relato? O justo será grande perante Ele, como ramos que brotam."
- Isaías 53:4-5: "Ele orou pelos nossos pecados, e por causa Dele nossas iniquidades serão perdoadas... Por meio do ensino de suas palavras, os nossos pecados serão perdoados."
- Isaías 53:7: "Ele se entregará aos poderosos das nações como um cordeiro para o abatedouro."
- Isaías 53:10-12: "Aprouve ao Eterno perdoar o pecado de todos nós por causa Dele... Ele libertará as almas da servidão das nações... Por sua sabedoria, justificará os justos, fazendo-os guardar a Torá."
O Targum enfatiza que o Messias sofre, expia os pecados de Israel e das nações, reúne os cativos e ensina a Torá, escrevendo-a nos corações — ecoando Deuteronômio 18:18-19, onde um profeta como Moisés falará as palavras do Eterno, exigindo obediência sob pena de juízo.
Essa visão messiânica contrasta com a interpretação de Rashi, que aplica o texto ao povo de Israel, mas alinha-se com tradições do Segundo Templo que viam o Messias como um sofredor redentor.
Respondendo aos Antimissionários
Antimissionários sustentam que Isaías 53 refere-se ao povo judeu, não a Yeshua, e que o Messias não deveria sofrer ou morrer. Contudo:
1. Dupla aplicação: O texto pode abarcar Israel e o Messias, pois o princípio da solidariedade conecta os dois. O Messias, como representante, sofre e redime os pecados do povo.
2. Tradição judaica: O Targum e outras fontes do Segundo Templo (como os Manuscritos do Mar Morto) identificam o servo como o Messias, uma leitura anterior à interpretação coletiva de Rashi.
3. Expiação pelo sofrimento: A morte de um tsadik como kapará é amplamente atestada no Judaísmo, e o Targum aplica isso ao Messias, cuja obra transcende Israel, alcançando as nações.
Conclusão: Yeshua como o Servo Sofredor
Isaías 52-53 apresenta um servo que sofre, expia pecados e é exaltado, uma descrição que o Targum aramaico atribui ao Messias.
A conexão entre Israel e o Messias, unida pela solidariedade, mostra que o texto pode refletir ambos: o povo sofre historicamente, mas o Messias encarna esse sofrimento para redimi-lo.
Yeshua HaMashiach, rejeitado, morto e ressurreto, cumpre essa visão, ensinando a Torá e trazendo kapará por meio de sua entrega voluntária.
O Targum, ao destacar o Messias como aquele que "justifica os justos" e "perdoa os transgressores", oferece uma ponte entre o Tanakh e a vida de Yeshua.
Convido o leitor a explorar o Targum de Isaías e considerar como essa antiga tradição judaica pode apontar para o Messias sofredor, cuja obra ressoa em Israel e além.
Que o terno os abençoe!
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