🌿Serie Mashiach ben Yosef. Parte 3 - O que os Rabinos Dizem sobre o Messias Filho de José
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Oliveira Viva
O que os Rabinos Dizem sobre o Messias Filho de José
A figura messiânica que morre e ressuscita, trazendo expiação para Israel.
Alexandre D'Almeida
Neste estudo, exploramos o conceito do Mashiach Ben Yosef (Messias Filho de José), uma figura messiânica amplamente discutida na tradição rabínica, e sua relevância para a compreensão das fés abraâmicas.
Baseado no Livro Messiah ben Joseph, by David C. Mitchell e no podcast Case for Messiah, apresentado por Golan Broshi com a participação do Dr. David Mitchell, um renomado estudioso do Mashiach Ben Yosef (Messias Filho de José).
1. A Profundidade do Mashiach Ben Yosef: Uma Descoberta Transformadora
O Dr. David Mitchell, em seus artigos acadêmicos, propôs uma visão revolucionária sobre o Mashiach Ben Yosef. Martha Himmelfarb, professora de religião em Princeton, comentou sobre o trabalho de Mitchell: "Mitchell acredita que este Messias era um Messias que morre e ressuscita, cuja morte foi entendida como um sacrifício para efetuar expiação em nome de Israel.
Se Mitchell estiver correto, as implicações para o messianismo judaico antigo e o cristianismo primitivo seriam profundas." Essa afirmação sublinha a magnitude da descoberta de Mitchell: a possibilidade de que a ideia de um Messias que morre e ressuscita não seja uma invenção cristã, mas uma expectativa profundamente enraizada no Judaísmo antigo.
A questão central que divide as fés abraâmicas — Judaísmo e Cristianismo — é simples: o Messias pode morrer?
O Judaísmo tradicional, em sua forma rabínica moderna, geralmente afirma que o Messias não pode morrer, enquanto o Cristianismo sustenta que o Messias morreu e ressuscitou.
Se os rabinos aceitassem que a morte e ressurreição do Messias foram profetizadas desde tempos antigos, como Mitchell argumenta, a divisão entre Judaísmo e Cristianismo poderia desaparecer.
As diferenças culturais permaneceriam, mas as duas fés se tornariam uma só, unidas pela crença em um Messias que sofre, morre e ressuscita para redimir seu povo.
2. Como o Judaísmo Rabínico Lida com o Mashiach Ben Yosef
O Mashiach Ben Yosef é uma figura incômoda para o Judaísmo rabínico, pois suas características se assemelham muito às de Yeshua (Jesus). Ele é descrito como um Messias vindo da Galileia, que morre e ressuscita, trazendo expiação para Israel.
Por isso, os rabinos desenvolveram várias estratégias para minimizar ou reinterpretar essa figura:
· Minimização do Mashiach Ben Yosef: Alguns rabinos afirmam que o Mashiach Ben Yosef é uma ideia secundária, mencionada apenas em um ou dois versos no Talmud e nos Targumim, sendo, portanto, irrelevante. No entanto, Mitchell refuta essa alegação, apontando que existem centenas de referências ao Mashiach Ben Yosef em dezenas de documentos rabínicos. Ele compilou uma lista extensa dessas fontes, demonstrando que a figura é amplamente discutida na literatura rabínica.
· Minimização da Importância do Messias: Outra abordagem é reduzir o papel do Messias em geral. Alguns rabinos argumentam que "Messias" significa apenas "ungido" ou "líder", e que ele não resolverá todos os problemas de Israel. Segundo essa visão, Israel deve resolver seus próprios problemas, e o Messias é apenas um líder humano. Mitchell critica essa interpretação, afirmando que ela contradiz tanto a Bíblia Hebraica quanto a própria literatura rabínica, que consistentemente espera um Messias que traga salvação divina. Essa visão, segundo ele, reinventa o Judaísmo, transformando-o em uma nova religião que não se baseia nas Escrituras ou na tradição rabínica.
· Negação da Expiação pela Morte do Messias: Uma terceira estratégia é admitir que o Mashiach Ben Yosef morre, mas negar que sua morte tenha valor expiatório. No entanto, Mitchell cita várias passagens rabínicas que contradizem essa ideia. Por exemplo, o Pesikta Rabbati 37 declara: "Efraim, Messias, nosso Justo... embora sejamos seus pais, você é maior que nós, pois você carregou os pecados em nosso nome e sofreu terríveis tormentos, pelos quais as primeiras e últimas gerações são expiadas." Outro texto, de Moshe Alshich (século XVI), afirma: "Eles levantarão os olhos para Mim em perfeito arrependimento quando virem Aquele a quem traspassaram, que é o Mashiach Ben Yosef, pois nossos rabinos de abençoada memória disseram que ele tomará sobre si toda a culpa de Israel e será morto na guerra para fazer expiação, de modo que será considerado como se Israel o tivesse traspassado, pois por causa de seus pecados ele morreu." Esses textos mostram que a morte do Mashiach Ben Yosef é, sim, expiatória.
· Datação Tardia do Mashiach Ben Yosef: Por fim, alguns rabinos tentam datar a origem do Mashiach Ben Yosef após o período cristão, sugerindo que ele surgiu como uma resposta às decepções após a derrota de Shimon bar Kokhba na Segunda Revolta Judaica (135 d.C.). Michael Hamburger, no século XIX, popularizou essa ideia em sua enciclopédia alemã. No entanto, essa datação tardia levanta uma questão que os rabinos não conseguem responder: se o Mashiach Ben Yosef surgiu após o período cristão, por que os rabinos inventaram um Messias que se assemelha tanto ao Yeshua que rejeitaram? E se ele existia antes do período cristão, por que não aceitaram Yeshua, que se encaixa tão bem nessa descrição?
3. O Mashiach Ben Yosef e Yeshua: Semelhanças e Diferenças
Mitchell argumenta que o Mashiach Ben Yosef é uma figura bíblica, pré-cristã, e que sua expectativa está enraizada na Bíblia Hebraica.
Ele aponta que textos como os de Moisés, Habacuque e Zacarias preveem um Messias que morre como sacrifício de expiação e ressuscita. Essa descrição alinha-se com a apresentação de Yeshua no Novo Testamento como o Mashiach Ben Yosef, além de Mashiach Ben David (Messias Filho de Davi).
No entanto, ao comparar a visão rabínica do Mashiach Ben Yosef com a do Novo Testamento, Mitchell esclarece que elas não são idênticas em todos os detalhes.
Por exemplo, na literatura rabínica, o Mashiach Ben Yosef morre em batalha por Jerusalém, enquanto Yeshua não morreu literalmente em uma batalha, mas às mãos de invasores estrangeiros (os romanos). Além disso, os rabinos frequentemente descrevem o Mashiach Ben Yosef e o Mashiach Ben David como duas figuras distintas que governarão juntas.
No entanto, Mitchell, citando Zacarias, argumenta que os dois Messias são, na verdade, uma única pessoa: "Zacarias deixa claro que os dois Messias são, na verdade, um só Messias."
No Novo Testamento, Yeshua é apresentado como a unificação dessas duas figuras messiânicas, cumprindo tanto o papel de Mashiach Ben Yosef (o Messias sofredor) quanto o de Mashiach Ben David (o Messias rei).
Mitchell também compara o Mashiach Ben David rabínico com Yeshua. Na literatura rabínica, o Mashiach Ben David é descrito como um rei que submeterá os não-judeus, transformando-os em servos dos judeus ou lançando-os no Gehenna (inferno).
Yeshua, porém, ensina que "muitos virão do oriente e do ocidente para se sentarem à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus" (Mateus 8:11), destacando que há justos e ímpios em todas as nações, e que Ele veio para reunir Seu povo de todas as origens.
Assim, Yeshua não se encaixa exatamente na visão rabínica do Mashiach Ben David, mas cumpre a promessa bíblica de um Messias da tribo de Judá, a quem todas as nações obedecerão (Gênesis 49:10).
4. A História de José e Yeshua: Um Paralelo Profundo
Concluindo com uma reflexão sobre a história de José, que serve como um paralelo ao papel de Yeshua como Mashiach Ben Yosef. José foi rejeitado por seus irmãos, vendido como escravo e recebido pelos gentios.
Quando seus irmãos o encontraram anos depois, não o reconheceram, pensando que ele era um gentio. No auge da história, José se revela a eles como seu irmão, aquele que foi rejeitado para se tornar seu salvador, trazendo redenção à sua família.
Essa narrativa, segundo os apresentadores, não é apenas a história de José, mas também a de Yeshua. Yeshua foi rejeitado por muitos de seus irmãos judeus, recebido pelos gentios e, aos olhos de muitos judeus, pareceu um "gentio" devido à sua associação com os não-judeus.
No entanto, a esperança expressa no podcast é que, ao estudar as Escrituras, os textos rabínicos e obras como a de David Mitchell, os judeus reconheçam Yeshua como seu irmão, o Mashiach Ben Yosef, que sofreu e morreu para trazer expiação e salvação.
Esse reconhecimento, levará a uma "reunião de lágrimas", um momento de reconciliação e unidade.
5. Um Convite à Investigação
Os apresentadores incentivam os leitores a estudar as evidências por si mesmos. Eles recomendam o livro de David Mitchell, que contém uma análise detalhada das fontes rabínicas sobre o Mashiach Ben Yosef, e fornecem informações para adquiri-lo.
A mensagem final é um apelo para que os leitores examinem as Escrituras e a literatura rabínica, buscando a verdade sobre o Messias.
Conclusão: Yeshua, o Mashiach Ben Yosef, e a Unidade das Fés Abraâmicas
O Mashiach Ben Yosef, como descrito na tradição rabínica, é uma figura messiânica que morre e ressuscita, trazendo expiação para Israel.
Apesar das tentativas de minimizar ou reinterpretar essa figura, as fontes rabínicas confirmam sua importância e sua natureza expiatória. Yeshua, segundo o Novo Testamento, cumpre esse papel, unindo as expectativas de Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David em uma única pessoa.
A história de José, rejeitado por seus irmãos e revelado como seu salvador, reflete a jornada de Yeshua, que busca trazer redenção a todos os povos. Convidamos o leitor a refletir: seria Yeshua o Mashiach Ben Yosef que os rabinos, mesmo relutantemente, descreveram, e que pode unir as fés abraâmicas em uma só?
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