🌿Serie Mashiach ben Yosef Parte 1 - A Unificação do Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David - Várias Funções, Um Messias

Imagem: Capa do Livro: Messiah ben Joseph, by David C. Mitchell

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Oliveira Viva

 A Unificação do Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David

Várias Funções, Um Messias 

Alexandre D'Almeida

4 de setembro de 2025

Neste capítulo, exploramos a complexidade das expectativas messiânicas na Bíblia Hebraica, que vão além da ideia de um único Messias. 
Baseado no Livro Messiah ben Joseph, by David C. Mitchell e no podcast Case for Messiah, apresentado por Golan Broshi com a participação do Dr. David Mitchell, um renomado estudioso do Mashiach Ben Yosef (Messias Filho de José).
Examinamos como a Bíblia Hebraica e a tradição rabínica apresentam múltiplos tipos messiânicos — de Judá, José, Levi e um profeta como Moisés — e como essas figuras se unificam em uma única pessoa.
Mitchell argumenta que o profeta Zacarias, entre outros, funde as imagens do Mashiach Ben Yosef e do Mashiach Ben David (Messias Filho de Davi), apontando para um Messias que incorpora todas essas funções, uma ideia que ecoa na apresentação de Yeshua (Jesus) no Novo Testamento.

1. A Expectativa de Múltiplos Messias na Bíblia Hebraica

A visão tradicional, tanto no Judaísmo quanto no Cristianismo, frequentemente assume que a Bíblia Hebraica promete um único Messias, geralmente identificado como o Mashiach Ben David, um rei da linhagem de Davi. No entanto, o Dr. David Mitchell desafia essa ideia, mostrando que as Escrituras e a tradição judaica pré-cristã apontam para múltiplos tipos messiânicos:
  • Gênesis 49 e Deuteronômio 33: Em Gênesis 49:10, há uma promessa a Judá de um governante, enquanto em Gênesis 49:24, José recebe a promessa de um "pastor-rocha" que virá de Shiloh. Em Deuteronômio 33:17, Moisés abençoa José, prometendo um "herói primogênito" que conquistará e governará o mundo. Essas passagens indicam um Messias da linhagem de José, distinto do Messias de Judá.
  • Deuteronômio 18:15 e 1 Samuel 2:35: Moisés também profetiza que o Eterno levantará um "profeta como ele" (Deuteronômio 18:15), sugerindo um Messias profético da tribo de Levi, enquanto 1 Samuel 2:35 fala de um "sacerdote fiel", apontando para um Messias sacerdotal.
  • 4Q Testimonia (Pergaminhos do Mar Morto): Um documento do século I a.C., conhecido como 4Q Testimonia, encontrado entre os Pergaminhos do Mar Morto, lista quatro tipos messiânicos em quatro parágrafos distintos: (1) um profeta como Moisés (Deuteronômio 18:15); (2) uma estrela de Jacó, um Messias davídico (Números 24:17); (3) uma bênção aos levitas, indicando um Messias sacerdotal (Deuteronômio 33:8-11); e (4) uma referência a Josué (Josué 6:26), que Mitchell interpreta como um Messias da linhagem de José, já que Josué era um efraimita (descendente de José). Embora alguns estudiosos não reconheçam o quarto tipo como messiânico, Mitchell argumenta que ele aponta para um Mashiach Ben Yosef, um "segundo Josué", assim como o Mashiach Ben David é um "segundo Davi".
  • Tradição Rabínica: Na literatura rabínica, a ideia de múltiplos Messias persiste. Mitchell cita sete referências em textos rabínicos que mencionam quatro Messias: Mashiach Ben David, Mashiach Ben Yosef, um profeta e um sacerdote. Em algumas tradições, o profeta e o sacerdote são combinados, resultando em três Messias, mas a presença de Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David é constante.

Essas evidências mostram que, ao contrário da ideia de um único Messias, muitos israelitas esperavam vários Messias ou, pelo menos, vários tipos messiânicos, cada um associado a uma tribo e função específicas.

2. A Unificação dos Tipos Messiânicos: Zacarias e Outros Profetas

Embora a Bíblia Hebraica apresente promessas distintas para Judá, José, Levi e um profeta, alguns profetas começam a fundir essas expectativas em uma única figura messiânica:
  • Zacarias 9-14: Zacarias é um dos principais profetas a unificar os tipos messiânicos. Ele descreve um "Rei-Pastor" que combina características do Mashiach Ben David e do Mashiach Ben Yosef. Em Zacarias 9:9-10, esse rei "reinará de mar a mar, do rio até os confins da terra", como Salomão, um rei davídico. No entanto, ele também redime os filhos de José do "poço seco" (Zacarias 9:11), ecoando a história de José, que foi lançado em um poço (Gênesis 37:24). Em Zacarias 12:10, o rei é "traspassado" e lamentado, uma característica associada ao Mashiach Ben Yosef na tradição rabínica, como no Targum de Zacarias, no Talmud (Sukah 52a), e em comentários de Rashi e Ibn Ezra. Zacarias também o descreve como um pastor rejeitado, vendido por prata (Zacarias 11:12-13), e ferido (Zacarias 13:7), imagens que remetem a José, mas que culminam em um rei vitorioso, como Davi. Mitchell compara essa fusão a "bonecas russas" (matrioskas), onde as características de José e Davi se encaixam em uma única figura.
  • Jeremias: Jeremias também combina imagens de José e Davi. Ele retrata Josias, um rei davídico, com simbolismo josephita, e em Jeremias 52 (paralelo a 2 Reis 25), a libertação de Jeconias (um rei davídico) no 37º ano do exílio é narrada com paralelos à história de José: Jeconias é tirado da prisão, suas vestes são trocadas, ele é colocado em um trono e recebe uma refeição, assim como José foi elevado no Egito (Gênesis 41). Essa narrativa sugere que a esperança na casa de Davi está conectada à esperança na casa de José.
  • Salmos: O livro de Salmos também reflete essa unificação. Mitchell destaca que os Salmos começam e terminam com Davi (Salmos 1-2 e 146-150), mas o meio do livro enfatiza José (Salmos 77-80). Em Salmos 88:1, há uma referência a um "Yehosaf", um nome que Mitchell interpreta como uma fusão de Yehuda (Judá), Yosef (José) e possivelmente Yehovah (o Nome do Eterno), simbolizando um Messias que une Judá e José. Além disso, Salmos 1 apresenta um Messias como Josué (que medita na Torá dia e noite, Josué 1:8) e José (uma árvore plantada junto a correntes de água, Gênesis 49:22), enquanto Salmos 2 apresenta um Messias davídico que reinará no Monte Sião. Os rabinos antigos viam Salmos 1 e 2 como uma unidade, sugerindo que esses dois Messias são, na verdade, um só.

3. José e Davi: Paralelos e Diferenças nas Narrativas

A distinção tradicional entre Mashiach Ben Yosef (o Messias sofredor) e Mashiach Ben David (o Messias rei) é, segundo Mitchell, artificial. As narrativas de José e Davi na Bíblia Hebraica mostram paralelos significativos:
  • Paralelos Narrativos: O apresentador do podcast, com base em pesquisas sobre analogias narrativas, observa que a história da ascensão de Davi ao poder (1 Samuel 16-2 Samuel 5) é escrita como uma analogia à ascensão de José (Gênesis 37-50). Ambos são filhos mais novos enviados pelo pai para verificar seus irmãos mais velhos, ambos são desprezados (José por seus irmãos, Davi por Eliabe, 1 Samuel 17:28), e ambos são descritos como sábios e bem-aparentes (Gênesis 39:6 para José; 1 Samuel 16:12, 18 para Davi, que é "navon" — sábio). Faraó busca alguém para interpretar seus sonhos e encontra José, enquanto Saul busca alguém para sua corte e encontra Davi. Ambos sofrem, mas eventualmente governam.
  • Sofrimento e Reinado: Embora José seja o símbolo do Messias sofredor e Davi do Messias conquistador, ambos experimentam sofrimento e glória. José sofre mais intensamente: é lançado em um poço, vendido como escravo, preso por 11 anos (segundo a tradição rabínica), e considerado morto por seu pai, que chora por ele (Gênesis 37:34-35). Sua rejeição é total, e ele vive em um estado de "morte simbólica". Davi também sofre — é perseguido por Saul, vive em cavernas e enfrenta traições (como a de Absalão) —, mas mantém seguidores e contato com sua família (1 Samuel 22:1-2). No entanto, ambos triunfam: José se torna vice-regente do Egito, segundo apenas ao Faraó (Gênesis 41:40-44), enquanto Davi se torna rei soberano de Israel (2 Samuel 5:1-5). Essa sobreposição sugere que as funções de sofrimento e reinado não são exclusivas de um ou outro, mas podem ser combinadas em uma única figura.

4. Como Um Messias Pode Unir Múltiplas Linhagens?

A questão central é: como uma única pessoa pode descender de duas linhagens patriarcais distintas, como Judá e José? Mitchell oferece uma solução:
  •  Descendência Matrilinear: A descendência patrilinear (pelo pai) não permite que uma pessoa herde de dois patriarcas distintos, mas a descendência matrilinear (pela mãe) sim. Mitchell argumenta que Yeshua, nascido de Miriam (Maria), uma virgem, pelo Espírito Santo (Lucas 1:35), herda o DNA de múltiplas linhagens por meio de sua mãe. Miriam é descendente de Davi (Lucas 1:32), de Aarão (Lucas 1:36, pois é parente de Isabel, uma descendente de Aarão), e de José. A conexão com José vem através de Omri, rei do Reino do Norte (provavelmente um descendente de José, já que os efraimitas não aceitariam um rei de outra linhagem). Omri gerou Acabe, que gerou Atalia, que se casou com Yoram, da casa de Davi. Seu filho, Acazias, introduziu o "sangue de José" na linhagem davídica, que chegou até Miriam.
  • Implicações para Yeshua: No Novo Testamento, Yeshua é chamado de "Filho de José" (João 1:45, 6:42), o que pode ser tanto uma referência literal (seu pai terreno, José, marido de Miriam) quanto simbólica, indicando sua identidade como Mashiach Ben Yosef. Sua descendência matrilinear permite que ele una as promessas de Judá, José e Aarão, cumprindo todos os tipos messiânicos.

5. Yeshua: A Unificação dos Tipos Messiânicos

Embora o podcast deixe a discussão sobre o Novo Testamento para o próximo episódio, ele prepara o terreno ao sugerir que Yeshua é a realização da unificação dos tipos messiânicos. No Novo Testamento, Yeshua é apresentado como:
  • Mashiach Ben David (Rei, Mateus 1:1);
  • Mashiach Ben Yosef (Sofredor, como veremos no próximo episódio);
  • Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:14-17);
  • Profeta (João 6:14, onde as multidões o identificam como "o Profeta").

Além disso, o Novo Testamento identifica João Batista como o profeta Elias que precede o Messias (Mateus 11:14, Malaquias 4:5), complementando o papel de Yeshua como o Messias que cumpre as funções de rei, sacerdote e sacrifício.

Conclusão: Um Messias, Múltiplas Funções

A Bíblia Hebraica apresenta múltiplos tipos messiânicos — de Judá, José, Levi e um profeta como Moisés —, e a tradição rabínica reflete essa diversidade ao esperar até quatro Messias. 
No entanto, profetas como Zacarias, Jeremias e os Salmos começam a fundir essas expectativas em uma única figura, um Messias que sofre como José, reina como Davi, e cumpre as funções proféticas e sacerdotais. 

Yeshua, por meio de sua descendência matrilinear, une essas linhagens e funções, tornando-se o Messias que incorpora todas as promessas da Bíblia Hebraica. Convidamos o leitor a refletir: seria Yeshua o Messias que, como Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David, resolve as tensões das expectativas messiânicas e traz redenção a Israel e ao mundo?

Que o Eterno os Abençoe!



Alexandre D'Almeida

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