🌿Serie Mashaich ben Yosef. Parte 5: Jesus referiu-se como uma figura de José?
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Oliveira Viva
Jesus referiu-se a como uma figura de José?
Mashiach Ben Yosef ou Ben Efraim?
Alexandre D'Almeida
Neste estudo, continuamos a explorar o conceito do Mashiach Ben Yosef (Messias Filho de José), uma figura messiânica amplamente discutida na tradição judaica, e sua conexão com Yeshua (Jesus) no Novo Testamento.
Baseado no Livro Messiah ben Joseph, by David C. Mitchell e no podcast Case for Messiah, apresentado por Golan Broshi com a participação do Dr. David Mitchell, um renomado estudioso do Mashiach Ben Yosef (Messias Filho de José). (https://a.co/d/1UpiZWu)
Examinamos como o Novo Testamento apresenta Yeshua como o cumprimento dessa expectativa messiânica. Mitchell argumenta que, embora Yeshua seja frequentemente identificado como Mashiach Ben David (Messias Filho de Davi), ele também é retratado como Mashiach Ben Yosef, unindo as promessas tribais de Judá, José e até Aarão em uma única figura redentora.
1. O Mashiach Ben Yosef: Uma Expectativa Bíblica e Rabínica
Nos estudos anteriores da série, Mitchell demonstrou que o Mashiach Ben Yosef é um conceito bíblico, presente na Bíblia Hebraica, e amplamente discutido na literatura rabínica pré-cristã, como o Targum e o Talmud, até os tempos modernos.
Ele também destacou que, em Zacarias 12:10, os conceitos de Mashiach Ben Yosef e Mashiach Ben David são fundidos em uma única figura messiânica, uma ideia que ecoa no Novo Testamento.
No entanto, uma questão intrigante surge: se o Mashiach Ben Yosef é uma expectativa tão importante e bíblica, por que os autores do Novo Testamento parecem focar em apresentar Yeshua como Mashiach Ben David, e não como Mashiach Ben Yosef? Mitchell desafia essa percepção, mostrando que Yeshua é, sim, retratado como Mashiach Ben Yosef em vários textos do Novo Testamento, especialmente no Evangelho de João, e que sua identidade messiânica abrange múltiplas heranças tribais.
2. Yeshua e o Título de Mashiach Ben David: Uma Perspectiva Diferente
Uma observação surpreendente de Mitchell é que, nos Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João), Yeshua nunca se apresenta como Mashiach Ben David.
Embora outros o chamem de "Filho de Davi" — como Mateus, o anjo Gabriel, Bartimeu cego, a mulher cananeia, as multidões no Domingo de Ramos, as crianças no Templo e os apóstolos —, Yeshua não reivindica esse título diretamente.
Em Mateus 22:41-45, quando Yeshua pergunta aos fariseus: "De quem é filho o Messias?", eles respondem: "De Davi." Yeshua, porém, questiona: "Como pode ele ser filho de Davi se Davi o chama de Senhor?" (citando Salmos 110:1). Isso sugere que Yeshua, naquele momento, não aceita o título de Mashiach Ben David de forma simplista, indicando que sua identidade messiânica é mais complexa.
Embora Yeshua se identifique como "a raiz e a descendência de Davi" em Apocalipse 22:16, nos Evangelhos canônicos ele parece evitar esse título, talvez para enfatizar outras facetas de sua missão, como a de Mashiach Ben Yosef.
Essa observação desafia a ideia de que o Novo Testamento apresenta Yeshua exclusivamente como Mashiach Ben David.
3. Yeshua como Mashiach Ben Yosef no Novo Testamento
Mitchell aponta várias passagens do Novo Testamento que retratam Yeshua como Mashiach Ben Yosef, especialmente em contextos que ecoam a história de José, filho de Jacó, e a expectativa rabínica de um Messias vindo da tribo de Efraim (descendente de José).
- Marcos 12:1-12 – A Parábola dos Lavradores Maus: Na parábola do vinhedo, Yeshua descreve um "filho amado" que os lavradores planejam matar, dizendo: "Vinde, matemo-lo" (Marcos 12:7). Mitchell observa que essa frase em grego (deute apokteinomen auton) aparece apenas uma outra vez na Bíblia, na Septuaginta (Gênesis 37:20), quando os irmãos de José dizem: "Vinde, matemo-lo." A escolha dessas palavras sugere que Yeshua estáse comparando a José, rejeitado e traído por seus irmãos, mas enviado para redimi-los. Além disso, Yeshua cita Salmos 118:22-23: "A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a pedra angular." Segundo o Ramban (Nachmânides), em seu comentário sobre Deuteronômio 32:4, e outras fontes rabínicas, essa "pedra" está associada ao Mashiach Ben Yosef, também chamado de "pedra-pastor" em Gênesis 49:24, uma promessa feita a José.
- João 1:45 – Yeshua Ben Yosef de Nazaré: No Evangelho de João, Filipe declara: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e a quem se referiram os profetas: Yeshua Ben Yosef, de Nazaré" (João 1:45). Ele o chama de "Filho de Deus" e "Rei de Israel", mas o título "Yeshua Ben Yosef" é significativo. Na tradição rabínica, como visto no Talmud (Bava Batra 52) e no Targum de Zacarias 12:10, o termo Mashiach Ben Yosef já era familiar no século I. Além disso, o fato de Yeshua ser de Nazaré, na Galileia, alinha-se com a expectativa rabínica de que o Mashiach Ben Yosef viria da Galileia, uma região associada aos descendentes de Efraim. O nome "Yeshua" (em hebraico, Yehoshua, que significa "o Eterno salva") é uma forma aramaica de Josué, reforçando a conexão com a tribo de José, já que Josué, o sucessor de Moisés, era um efraimita.
- João 4:1-26 – Yeshua e a Mulher Samaritana: No encontro com a mulher samaritana no poço de Jacó, Yeshua se revela como o Messias que ela espera. Os samaritanos, descendentes de José (especificamente das tribos de Efraim e Manassés), aguardavam o Taheb (o Restaurador), seu título para o Messias, que viria da linhagem de José. O poço, segundo Mitchell, simboliza descendência genealógica (como em Provérbios 5:15-18), representando a esperança dos samaritanos em um descendente de Jacó e José. Yeshua diz à mulher: "Eu sou aquele que você está esperando" (João 4:26), afirmando ser o Taheb, o Mashiach Ben Yosef. A mulher, inicialmente surpresa por Yeshua ser um "judeu", reconhece-o como seu Messias, e muitos samaritanos creem nele (João 4:41). Isso indica que Yeshua é apresentado como o Messias dos samaritanos, um Mashiach Ben Yosef, e não apenas um Messias judeu.
- João 11:54 – Yeshua em Efraim: Antes de sua morte, Yeshua se retira para uma cidade chamada Efraim (João 11:54). Mitchell sugere que João inclui esse detalhe para retratar Yeshua como o Mashiach Ben Yosef, vindo de Efraim (tribo de José), antes de ir a Jerusalém para morrer, cumprindo a expectativa rabínica de um Messias sofredor.
- João 15:1 – Yeshua, a Videira Verdadeira: Yeshua declara: "Eu sou a videira verdadeira" (João 15:1). Embora muitos interpretem a videira como um símbolo de Israel, Mitchell argumenta que, na Bíblia Hebraica, a videira representa especificamente José e suas tribos. Em Gênesis 49:22, José é descrito como "um ramo frutífero" (ben porat Yosef), e em Salmos 80:8-15, a videira trazida do Egito refere-se a Efraim, Benjamin e Manassés, as tribos de José. Isaías 5:1-7 também distingue a "vinha do Senhor" (o Reino do Norte, associado a José) do "jardim aprazível" (Judá). Assim, ao se chamar de "videira verdadeira", Yeshua se identifica como o verdadeiro José, o Messias prometido à linhagem de Efraim.
- João 19:37 e Apocalipse 1:7 – O Pastor Traspassado de Zacarias: João é o único evangelista a citar Zacarias 12:10, que fala de um "pastor traspassado" que será olhado com lamento. João plica essa profecia a Yeshua na cruz (João 19:37) e em Apocalipse 1:7. Na tradição rabínica, como no Targum de Zacarias 12:10 e no Talmud (Sukah 52), esse versículo é consistentemente associado ao Mashiach Ben Yosef, nunca ao Mashiach Ben David. Mitchell destaca que João, ao citar Zacarias 12:10, está apresentando Yeshua como o Mashiach Ben Yosef, o Messias sofredor que é traspassado.
- Atos 7 e 8 – José como Tipo de Yeshua: Em Atos 7, Estêvão compara Yeshua a José, rejeitado por seus irmãos, mas enviado por Deus para salvá-los. No capítulo seguinte, Filipe, que em João 1:45 identificou Yeshua como "Ben Yosef", vai aos samaritanos (Atos 8), provavelmente presentando Yeshua como o Mashiach Ben Yosef, o Messias que eles esperavam.
4. A Audiência de João: Galileus e Samaritanos
Mitchell argumenta que o Evangelho de João foi escrito com uma audiência específica em mente: os galileus, que eram majoritariamente descendentes de Efraim (tribo de José), e os samaritanos.
Diferentemente dos judeus da Judeia, os galileus não eram estritamente "judeus" no sentido de serem da tribo de Judá.
Após o exílio assírio, muitos efraimitas retornaram à Galileia sob Josias e os macabeus, mantendo uma identidade distinta.
Eles tinham tensões com os judeus da Judeia, incluindo diferenças de calendário (como a data da Páscoa) e práticas religiosas (os galileus não celebravam festas como Purim). João, ao enfatizar Yeshua como Mashiach Ben Yosef, conecta-se com essa audiência, que esperava um Messias de sua própria linhagem tribal.
5. A Herança Tribal de Yeshua: Unindo José, Davi e Aarão
Uma objeção comum à messianidade de Yeshua é que, segundo a tradição judaica, a identidade tribal é transmitida pelo pai, e Yeshua, nascido de uma virgem, não teria um pai humano da linhagem de Davi.
Mitchell resolve esse dilema ao argumentar que Yeshua, por meio de sua mãe, Miriam (Maria), herda o DNA de múltiplas tribos, unindo as promessas messiânicas de José, Davi e Aarão.
- Descendência Matrilinear: O Novo Testamento apresenta Miriam como descendente de Davi (Lucas 1:32) e de Aarão (Lucas 1:36, onde Isabel, uma descendente de Aarão, é chamada de "parente" de Miriam). Além disso, Mitchell traça a linhagem de José por meio de Omri, rei do Reino do Norte (descendente de José), cujo neto, Atalia, casou-se com Yoram, da casa de Davi. Seu filho, Acazias, introduziu o "sangue de José" na linhagem davídica. Assim, Miriam, como descendente de Davi, também carrega o DNA de José.
- Nascimento Virginal: Como Yeshua foi concebido pelo Espírito Santo (Lucas 1:35), ele não tem descendência patrilinear direta. Isso, paradoxalmente, permite que ele herde as promessas de múltiplas tribos por meio de sua mãe, resolvendo a tensão entre as expectativas de um Messias de Judá, José e Aarão. Yeshua é, portanto, o Mashiach Ben David (por Davi), o Mashiach Ben Yosef (por José) e um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (por Aarão, Hebreus 7:14-17).
- DNA Universal: Mitchell também observa que Yeshua, por meio de sua linhagem, carrega DNA de outras origens, como princesas persas e babilônicas (através de casamentos reais) e egípcias via Asenate, mãe de Efraim, Gênesis 41:50-52). Isso o qualifica como Salvador de todas as nações — filhos de Sem (semitas), Cam (africanos) e Jafé (europeus) —, cumprindo a promessa de Gênesis 12:3 de que, por meio da semente de Abraão, "todas as famílias da terra serão abençoadas."
6. Yeshua: A Solução para o "Problema Messiânico"
A tradição judaica às vezes fala de múltiplos Messias — de Judá, José, Aarão e até um Messias levita. Isso levanta a questão: seriam necessários quatro Messias distintos?
Mitchell argumenta que Yeshua resolve esse "problema messiânico" ao unificar todas essas expectativas em uma única pessoa. Por meio de sua descendência matrilinear, ele incorpora o DNA de Davi, José e Aarão, e, por meio de sua concepção divina, transcende as limitações da descendência patrilinear, tornando-se o Messias universal.
Conclusão: Yeshua, o Mashiach Ben Yosef e o Redentor Universal
O Novo Testamento, longe de ignorar o Mashiach Ben Yosef, apresenta Yeshua como o cumprimento dessa expectativa, especialmente no Evangelho de João, que o retrata como o Messias dos galileus e samaritanos, descendentes de José.
Passagens como a parábola dos lavradores maus (Marcos 12), o encontro com a mulher samaritana (João 4) e a citação de Zacarias 12:10 (João 19:37) mostram Yeshua como o Mashiach Ben Yosef, rejeitado por seus irmãos, mas enviado para redimi-los.
Sua herança matrilinear une as promessas de Judá, José e Aarão, enquanto sua concepção divina o qualifica como Salvador de todas as nações.
Convidamos o leitor a refletir: seria Yeshua o Messias que, como Mashiach Ben Yosef, resolve as tensões das expectativas messiânicas e traz redenção ao mundo inteiro?
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