🌿Série Deidade de Jesus (Yeshua): A Humanidade do Messias: Uma Análise Bíblica e Teológica.

  
Imagem: Referência a Humanidade De Jesus na tentação do deserto (D'Almeida 25)

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Oliveira Viva

A Humanidade do Messias

Uma Análise Bíblica e Teológica.

Alexandre D'Almeida

2 de agosto de 2025


Nesse estudo, queremos explorar a humanidade de Cristo, um tema que para muitos soa como um paradoxo.

- Como alguém pode ser 100% Deus e, ao mesmo tempo, 100% homem?

- Como um Deus se torna homem sem deixar de ser Deus, e vive como homem sem abandonar sua divindade?

Essa é uma compreensão desafiadora. No entanto, não podemos negar que a doutrina nem sempre esclarece plenamente nossa razão. Pelo contrário, em 1 Coríntios 2:14, a Bíblia diz que o homem natural, entregue à sua mente, não entende as coisas do Espírito, que lhe parecem loucura. Mas o fundamento doutrinário é apresentado para que, em primeiro lugar, creiamos.

Porque um filho do homem que está em si mesmo não recebe [coisas] espirituais, porque lhe são loucura, e ele não é capaz de conhecê-las, pois são julgadas espiritualmente. (Peshitta 1 Coríntios 2:14)

Tomemos o texto de Filipenses 2:5-8: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus." Outra tradução, como a Nova Almeida Atualizada, apresenta: "que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo." O texto continua: "antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz." Essa palavra "esvaziou" não significa que Ele deixou de ser Deus.

O que precisamos compreender é o significado desse esvaziamento: Ele assume a forma de homem, vive na terra 100% como homem, sem deixar de ser Deus em essência e identidade, mas sem usar atributos exclusivos da divindade.

E pensem por si mesmos que também Yeshua HaMashiach, o qual, sendo a imagem de Elohim, não cogitou a extorsão de ser igual a Elohim. Mas ele se esvaziou e assumiu a forma de um servo, e estava na forma dos filhos dos homens, e foi achado como um filho de homem. E ele humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, e morte na estaca de execução. (Peshitta - Filipenses 2:5-8)

A primeira coisa a destacar é a divindade habitando no corpo de um homem, escolhendo viver como tal. A essência e a identidade divina jamais foram comprometidas, mas atributos exclusivos da deidade foram deixados de lado. Quais são esses atributos?

Podemos destacar três: onipresença, onipotência e onisciência. "Oni" significa "todo". A onipresença é a capacidade de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, algo exclusivo de Deus. Em Marcos 1:36-39, vemos Jesus limitado a um corpo, indo de um lugar para outro: "Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. Então foi por toda a Galileia, pregando na sinagoga deles, expelindo os demônios." Ele não estava presente em todos os lugares.

E o procuravam Shim’on e os que com ele estavam. E quando o encontraram, disseram-lhe: Todos os homens procuram por você. Disse-lhes: Caminhem até as aldeias e as cidades que estão nas proximidades, porque também pregarei lá; pois para isso vim. E pregou em todas as suas sinagogas por toda a Galil, e expulsou demônios. (Peshitta Marcos 1:36-39)

Quanto à onipotência, o poder total, só Deus o tem. Jesus não viveu usando a onipotência. Em Atos 10:38, lemos: "Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele." Não diz que Ele fez isso como Deus, mas como ungido.

...a respeito de Yeshua, que era de Natsrat, o qual Elohim ungiu com a Ruach HaKodesh e com poder. E este é aquele que viajou ao redor e curou os que eram oprimidos pelo Maligno, porque Elohim estava com ele. (Peshitta - Atos 10:88)

Se fosse como Deus, como entender João 14:12: "Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai"?

Se Jesus agiu como Deus, como nós poderíamos fazer o mesmo? Mas se Ele exerceu o ministério como homem ungido pelo Espírito Santo, e nós temos acesso à mesma unção, então é possível. Assim, no esvaziamento, Ele abriu mão da onipotência.

Em João 20:21-22: "Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo." Ele envia os apóstolos com a mesma autoridade e unção, liberando o poder do Espírito Santo, mostrando que operou como homem ungido.

Sobre a onisciência, o conhecimento total: Lucas 2:52 diz: "E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens." Como crescer em sabedoria se usasse a onisciência? Ele cresceu porque viveu como homem. Jesus precisou ser alfabetizado, ensinado pelos pais.

Em Marcos 9:21: "Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isso lhe sucede? Desde a infância, respondeu." Se usasse onisciência, por que perguntar? Embora revelasse segredos dos corações em alguns momentos, isso era pelo Espírito, como Paulo em 1 Coríntios 14:25 descreve profecias revelando segredos. Assim, Jesus usou a condição de homem, não atributos divinos exclusivos. "Esvaziou" não significa perdeu, mas abriu mão temporariamente, deixando de usar a forma divina, embora continuasse sendo Deus, e viveu como qualquer homem.

A forma humana foi assumida pelo Cristo preexistente. Isso é o "esvaziar-se": assumir a forma humana, humilhar-se até a morte de cruz. Esse esvaziamento foi temporário. Jesus não perdeu os atributos; podia reassumi-los. Em João 10:17-18: "Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Esse mandato recebi de meu Pai."

Ele tem poder para recuperar o que entregou. Na tentação no deserto (Lucas 4 e Mateus 4), Satanás o tenta a agir como Deus: "Se és o Filho de Deus, transforma essas pedras em pães." Se agisse como Deus, não seria o substituto perfeito. A tentação implica que Ele não perdeu os atributos, mas o esvaziamento foi temporário, não permanente.

Em Mateus 24:36: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai." Jesus fala daquele período de esvaziamento temporário. Colossenses 2:9: "Porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."

Após a ressurreição, tudo é restituído. Ele continua com um corpo glorificado, como diz aos discípulos: "Um espírito não tem carne e osso, como vedes que eu tenho." Em 1 Timóteo 2:3-6: "Isso é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador... há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem." Apesar da plenitude da divindade, Ele é chamado homem, conservando o corpo.

Em 1 Coríntios 15, Paulo discute se o Filho se sujeitará ao Pai após todas as coisas, mas a Bíblia sustenta que quem está à direita do Pai é um homem e Deus ao mesmo tempo, agora sem limitações: presente em todos os lugares, conhecendo tudo, mas conservando o corpo. O esvaziamento foi temporário; a humanidade permanece com a plenitude da divindade.

Algumas características da humanidade de Jesus: João 2:24-25: "Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana." Ele sabia na pele. Hebreus 4:15: "Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado." Ele se compadece porque foi tentado, identificando-se conosco. Cresceu em sabedoria (Lucas 2:52), teve fome (Mateus 4:2), sede (João 19:28), cansaço (João 4:6), dormiu no barco durante a tempestade (indicando exaustão profunda), chorou (João 11:35, sobre Jerusalém em Lucas 19:41, e no Getsêmani com clamor e lágrimas em Hebreus 5:7).

Yeshua, como homem, teve sentimentos. Em Lucas 10:21: "Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai... porque ocultaste essas coisas aos sábios e as revelaste aos pequeninos." Exultação, alegria extrema. Em Marcos 6:34: "Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor." Compaixão, movendo-o a curar. Tristeza em Lucas 19:41, chorando sobre Jerusalém. Indignação em Marcos 11:15-17 e João 2:14-17, expulsando os vendilhões do templo com um chicote, consumido pelo zelo.

Romanos 8:3: "Deus, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa." "Semelhança" é chave: Jesus não veio com carne pecaminosa como nós, mas semelhante, sujeito aos mesmos sentimentos (fome, sede, cansaço, tentação), mas sem natureza pecaminosa.

Parecido com o primeiro Adão, criado santo e sem pecado (imagem de Deus), podendo ser tentado, mas não pecando. Jesus é o "último Adão" (1 Coríntios 15:45), fazendo o que o primeiro falhou. Sobre impecabilidade: Sua natureza não era corrompida. Como Adão antes do pecado, o pecado era uma escolha possível, mas Deus, onisciente, não correria risco. A tentação era real (Hebreus 4:15), senão não seria tentação. Deus não pode ser tentado (Tiago 1:13), mas Jesus foi, na condição de homem. Isso inspira nossa obediência.

A obediência de Cristo foi como homem. Filipenses 2:8: "A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz." Após esvaziar-se. Hebreus 5:7-9: "Ele, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas... embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu, e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem."

Nos dias da carne (humanidade), orou no Getsêmani: "Se possível, passa de mim esse cálice, mas não a minha, mas a tua vontade." Conflito de vontade só como homem. Aprendeu os últimos níveis da obediência ("até a morte"), aperfeiçoado como Salvador.

Apesar de não entendermos a plenitude da redenção, Jesus manifestado em carne é um mistério da piedade. Bendito seja nosso Senhor Jesus Cristo, 100% Deus, 100% homem. Que esse entendimento da Palavra fundamente nossa fé e guie nossa vida.

Que o Eterno o abençoe!




Alexandre D'Almeida

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