🌿A Morte dos Justos como Expiação: Uma Raiz para o Messias?
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Oliveira Viva
A Morte dos Justos como Expiação: Uma Raiz para o Messias?
Uma Substituição Necessária .
Alexandre D'Almeida
14 de agosto de 2025
Antimissionários1 frequentemente argumentam que Yeshua (Jesus) não pode ser o Messias porque várias promessas messiânicas — como o fim das doenças, da morte, da fome e da guerra, a ressurreição dos mortos, a reunião dos dispersos de Israel e o serviço universal ao Eterno — ainda não se cumpriram.
Em resposta, os defensores da fé messiânica afirmam que Yeshua cumpriu profecias iniciais em sua primeira vinda, enquanto outras se realizarão em seu retorno, sugerindo um messias em duas etapas (tema explorado em outra ocasião).
Um ponto central de controvérsia é a ideia de que o Messias morreria para expiar pecados, algo que antimissionários rejeitam como ausente da Torá e como sacrifício humano proibido.
Com base no Tanakh e em tradições rabínicas do período do Segundo Templo, como a morte de um justo (tsadik), especialmente do Messias, foi entendida como elemento de expiação (kapará2), lançando luz sobre as raízes dessa crença e sua conexão com Yeshua.
Expiação no Tanakh: Além do Sangue
Os antimissionários afirmam que a expiação (kapará, que significa cobrir, redimir, purificar ou perdoar) não requer a morte de um messias e que sacrifícios humanos são inaceitáveis.
De fato, o Tanakh apresenta diversas formas de kapará sem derramamento de sangue:
- Gênesis 32:21: Jacó oferece presentes a Esaú para expiar seus erros, buscando reconciliação.
- Êxodo 30:15-16: Dinheiro é dado para fazer kapará, usado na construção do Tabernáculo.
- Êxodo 32:30-35: Após o bezerro de ouro, Moisés intercede em oração para expiar o pecado do povo.
- Deuteronômio 21:8: O próprio Eterno faz kapará pelo povo, sem intermediários humanos ou animais.
Será mesmo que esses exemplos mostram que a expiação não depende exclusivamente de sangue? Contudo, Levítico 17:11 destaca seu papel central: "A vida da carne está no sangue, e eu o dei a vocês sobre o altar para fazer expiação pelas suas almas".
O Talmud, Zevachim 6a, reforça: "A expiação é feita pelo sangue em virtude da vida", e em Yoma 5a esclarece que a imposição das mãos transfere pecados ao animal, mas é o sangue derramado que os compensa. Assim, enquanto a kapará pode ocorrer de várias formas, o sangue ocupa um lugar fundamental no sistema sacrificial.
Zevachim 6a.15: A Gemara sugere: Venha e ouça a prova de uma baraita: O versículo afirma: “E ele colocará sua mão sobre a cabeça do holocausto, e será aceito para ele expiar por ele” (Levítico 1:4). E a imposição de mãos expia os pecados de alguém? Mas a expiação não é alcançada apenas pela aspersão do sangue, como é declarado: “Pois é o sangue que faz expiação em razão da vida” (Levítico 17:11)? Em vez disso, qual é o significado quando o versículo afirma: “E ele colocará… e será aceito para ele expiar”?
Isso ensina que se alguém considerou o ritual de imposição de mãos como uma mitzvá não essencial e, consequentemente, falhou em realizá-la, o versículo atribui a ele a culpa como se a oferta não expiasse seus pecados; e, no entanto, a oferta expiou seus pecados.
Yoma 5a.2: E com relação às halakhot de ofertas que se aplicam ao longo das gerações, a Gemara pergunta: De onde derivamos que a falha em colocar as mãos na cabeça do animal não invalida a oferta?
A Gemara responde: Como foi ensinado em uma baraita que o versículo declara: “E ele colocará sua mão sobre a cabeça do holocausto, e será aceito para ele expiar em seu favor” (Levítico 1:4).
A imposição de mãos expia os pecados de alguém? A expiação não é realizada apenas pela aspersão do sangue, como é declarado: “Pois é o sangue que faz expiação em razão da vida” (Levítico 17:11)?
A Morte do Justo como Expiação
Embora a Torá proíba sacrifícios humanos, uma tradição emergiu no Judaísmo do Segundo Templo, período marcado por perseguições e martírios, de que a morte de um justo poderia expiar os pecados do povo.
Esse conceito, desenvolvido em um contexto de sofrimento, é atestado em várias fontes:
- Jewish Encyclopedia: Sugere que a morte de um justo tem poder expiatório superior ao sangue animal.
- Filo de Alexandria: Argumenta que a morte heroica de piedosos (chassidim) expia pecados coletivos.
- 4 Macabeus 6: Eleazar, um idoso justo, torturado por recusar idolatria, diz: "Fique satisfeito com meu sangue, seja misericordioso com o povo, deixe que meu sangue faça expiação por eles, tome minha vida em recompensa". Sua morte voluntária visa redimir Israel.
- Talmud Moed Katan 28a: Pergunta por que a morte de Miriã segue o capítulo da novilha vermelha (Números 19-20), respondendo: "Assim como a novilha faz expiação, a morte do justo também". Similarmente, as vestes sacerdotais de Arão (Números 20) simbolizam expiação, equiparável à sua morte.
- Midrash Vayikra Rabbah: Relaciona a morte dos filhos de Arão (lida em Yom Kipur) à expiação dos pecados de Israel.
- Rashi: Comenta que a morte de Miriã tem eficácia equivalente aos sacrifícios animais.
Esses textos mostram que, na ausência do Templo, a morte de justos tornou-se uma alternativa sacrificial. O Midrash Shemot Rabbah 35 amplia essa ideia: vendo profeticamente um futuro sem santuário, Moisés questiona como os pecados seriam expiados. O Eterno responde que escolheria "um homem justo" como "penhor" para perdoar os pecados do povo. Aqui emerge a figura singular de O Justo, cuja morte teria poder expiatório único.
Shemot Rabbah 35.4:Outra questão, “Tu farás as tábuas [para o Tabernáculo].” Deveria ter dito apenas: ‘Tu farás as tábuas em um Tabernáculo.’ O que é “para o Tabernáculo”? É porque ele é colateral [lemashken] como, se os inimigos de Israel se tornarem passíveis de serem erradicados, ele será tomado como colateral para eles.
Moisés disse diante do Santo, bendito seja Ele: ‘Eles não estão destinados a não ter nem um Tabernáculo nem um Templo; o que será deles?’ O Santo, bendito seja Ele, disse: ‘Eu tomarei um justo deles como garantia em seu favor, e eu expiarei por eles todas as suas iniquidades.’ Da mesma forma, ele diz: “Ele matou todos os que eram deleites dos olhos” (Lamentações 2:4).
O Messias como O Justo Expiador
No período do Segundo Templo, a morte de um justo expiava sua geração. Contudo, os rabinos desenvolveram a ideia de que a morte do Messias teria eficácia atemporal, abrangendo gerações passadas, presentes e futuras, incluindo os gentios (goym).
O Midrash Rabbah sugere que o Espírito do Messias não é humano, mas o próprio "Ruach Elohim" (Espírito de Deus) de Gênesis 1:2, indicando que o Messias seria o Eterno encarnado. Vayikra Rabbah 20 equipara a morte do justo ao Yom Kipur, o dia da expiação, afirmando que, sem o Templo, apenas a morte do Messias substituiria os sacrifícios — desde que acompanhada de arrependimento (teshuvá) e santidade (kedushá).
No Midrash Rabbah, especialmente em Bereshit Rabbah 2:4, há um comentário que pode estar relacionado a essa ideia:
"E o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas" (Gênesis 1:2) – Este é o Espírito do Rei Messias, como está dito: ‘E repousará sobre ele o Espírito do Senhor’ (Isaías 11:2).”
Este trecho interpreta que o "Ruach Elohim" em Gênesis 1:2 está ligado ao Messias, mas não significa necessariamente que o Messias seja o próprio Espírito de Deus. Em vez disso, sugere que o Messias será ungido e guiado pelo Espírito Divino.
O Vayikra Rabbah 20:12 traz um conceito interessante sobre a morte dos justos e sua conexão com a expiação dos pecados, mas a ideia de que "a morte do Messias substituiria os sacrifícios" não é uma formulação explícita do Midrash.
Um trecho relevante de Vayikra Rabbah 20:12:
"Disse R. Aba bar Yudan: Assim como o Dia da Expiação (Yom Kipur) expia, assim também a morte dos justos expia."
Esse trecho mostra que, no pensamento rabínico, a morte de um justo (tzadik) pode trazer expiação, de forma semelhante ao Yom Kipur. Essa ideia se conecta ao conceito bíblico de que a morte de figuras justas pode ter um efeito expiatório sobre a comunidade, como visto na tradição judaica sobre Moisés, Arão e até sobre o sofrimento de José.
Quanto à ideia de que "apenas a morte do Messias substituiria os sacrifícios", isso não está expresso diretamente no Vayikra Rabbah. No entanto, há discussões em textos rabínicos sobre o sofrimento do Messias, especialmente no Talmud (Sanhedrin 98b) e em algumas interpretações do Targum de Isaías 53, que sugerem que o Messias pode sofrer pelos pecados do povo.
Se você deseja explorar mais sobre esse tema, algumas fontes relevantes incluem:
- Midrash Pesikta Rabbati 36, que fala do sofrimento do Messias.
- Sanhedrin 98b, onde o Messias é chamado de "Leproso da Casa de Rabi" e relacionado ao sofrimento pelo povo.
- Targum de Isaías 53, onde o Messias é descrito carregando as dores do povo.
A relação entre a morte do Messias e a expiação é um ponto de contato entre o pensamento rabínico e a teologia cristã, mas no judaísmo tradicional, essa ideia geralmente se aplica à morte dos justos em geral, e não exclusivamente ao Messias.
Essa visão ecoa Isaías 53, onde o Servo Sofredor é "ferido por nossas transgressões" e "como cordeiro levado ao matadouro", mas os antimissionários rejeitam sua aplicação messiânica. No entanto, as tradições rabínicas aqui citadas mostram que a morte de um tsadik perfeito — o Messias — como expiação estava enraizada no Judaísmo antes de Yeshua, alinhando-se à narrativa do Novo Testamento.
Resposta aos Antimissionários
Os antimissionários argumentam que a morte de Yeshua como expiação é uma inovação cristã sem base no Tanakh. Contudo, as evidências mostram que:
1. A morte do Messias não é estranha ao Judaísmo: A tradição do Segundo Templo e textos rabínicos atestam que a morte de justos, especialmente do Messias, expia pecados, com eficácia superior aos sacrifícios animais.
2. Não é sacrifício humano proibido: O Messias, como o "Ruach Elohim", transcende a humanidade comum, sendo uma oferta divina voluntária, não um sacrifício forçado.
3. Cumprimento parcial: Yeshua cumpriu profecias como o sofrimento expiatório (Isaías 53), enquanto outras, como a paz universal, aguardam sua segunda vinda, uma ideia que, embora debatida, encontra paralelos em expectativas messiânicas judaicas.
Conclusão: Yeshua e a Tradição Expiatória
A morte dos justos como expiação, consolidada no Judaísmo do Segundo Templo, culmina na figura do Messias como O Justo. Textos como o Talmud, Midrash e 4 Macabeus mostram que essa crença não é uma invenção cristã, mas uma evolução natural das tradições judaicas.
Yeshua, ao entregar sua vida, encaixa-se nesse papel, sua morte sendo vista como a kapará definitiva, exigindo teshuvá e uma vida de santidade para sua eficácia. Assim como a novilha vermelha e os sacerdotes expiaram, a morte do Messias — o perfeito tsadik — oferece redenção atemporal. Convidamos o leitor a explorar essas fontes e considerar como Yeshua pode ser a realização dessa antiga esperança judaica.
Portanto, volte agora nos textos iniciais apresentados como prova de que há outros modos de expiação, e a luz do entendimento maior de que o Messias seria uma garantia expiatória que redimiria não só a sua geração como muitos no passado e temos uma forma de promissória. O Eterno aceito que os pecados relacionados nos textos da Torá fossem imputados no Messias que viria e expiaria os pecados cabalmente.
Então, Gênesis 32:21, Êxodo 30:15-16, Êxodo 32:30-35, Deuteronômio 21:8, estão na conta paga pelo Messias em sua expiação substitutiva.
"Quem é o único que atribuiu a si mesmo o papel de Messias e que foi sacrificado por vontade própria se oferecendo como sacrifício vivo por muitos?"
Notas:
1 - Os antimissionários são indivíduos ou grupos que se opõem ao trabalho missionário, especialmente no contexto da evangelização de judeus por cristãos. Eles surgiram principalmente em resposta aos esforços de conversão de judeus ao cristianismo e atuam para preservar a identidade e a fé judaicas.
Características dos Antimissionários:
Defesa da Fé Judaica – Buscam fortalecer a crença judaica e responder a argumentos cristãos usados na evangelização de judeus.
Contra a Conversão – Rejeitam o proselitismo cristão e veem a conversão de judeus como uma ameaça à continuidade do judaísmo.
Atuação Apologética – Produzem materiais e debates para refutar interpretações cristãs do Tanach (Antigo Testamento) e do papel do Messias.
Grupos Ativos – Organizações como Jews for Judaism e rabinos especializados em contra-evangelismo são conhecidos por suas respostas aos missionários.
Muitos antimissionários estudam o Novo Testamento e a teologia cristã para rebater argumentos cristãos sobre Jesus como o Messias, enfatizando interpretações judaicas das Escrituras.
2 - Kapará (כַּפָּרָה) é um termo hebraico que significa expiação ou propiciação. Ele se refere ao processo de purificação e perdão dos pecados, tanto no contexto bíblico quanto na tradição judaica.
Significados de Kapará:
No Tanach (Bíblia Hebraica) – O termo aparece frequentemente ligado a sacrifícios realizados no Templo para expiação dos pecados (como no Yom Kipur, o Dia da Expiação). A raiz da palavra, kaf-peh-resh (כ-פ-ר), está associada à ideia de cobrir ou purificar.
Na Tradição Judaica – Além dos sacrifícios, kapará também pode se referir a atos de arrependimento (teshuvá), oração, caridade e sofrimento como meios de expiação.
Uso Cotidiano – Em hebraico moderno, a palavra pode ser usada figurativamente, como em expressões de resignação ou aceitação de dificuldades (“ze kapará” – "é uma expiação", no sentido de "poderia ter sido pior").
O conceito de kapará é central no pensamento judaico, especialmente em relação ao Yom Kipur, quando os judeus buscam a reconciliação com Deus e uns com os outros.
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